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    Duff

    Page 27
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      Acontece que, de um a form a estranha, a falta de reação de Toby m e

      incom odou um pouco. Wesley com certeza teria feito algum a piada. Ele j á teria

      notado m eus peitos, é claro, e aproveitaria a oportunidade para dizer algum a

      coisa. Wesley teria rido tam bém . Ele não ignoraria a situação com o Toby.

      Meu Deus! De todas as coisas, essa era j ustam ente a que não devia estar m e

      incom odando.

      — Sabem — disse Casey assim que conseguiu controlar as risadas —, foi

      m uito legal da parte de vocês nos convidar. — Ela sorriu para m im , e eu sabia

      que ela estava feliz de ter sido incluída. — Mas vocês percebem que isso vai

      arruinar o encontro de vocês, né?

      — Por quê? — perguntou Toby.

      — Porque assim viram os velas da Bianca! — disse Jessica, um pouco m ais

      feliz do que devia.

      — Por isso, nosso trabalho é im pedir que vocês ultrapassem os lim ites —

      disse Casey. — E ficarem os felizes em controlar vocês.

      — Sim .

      Toby e eu não precisávam os nos preocupar. No segundo em que entram os

      no Nest m inhas am igas se j ogaram na pista de dança, balançando os cabelos e

      sacudindo o quadril com o de hábito.

      — Parece que são elas que devem ser controladas — disse Toby enquanto

      seguíam os na direção de um a m esa vazia.

      — Norm alm ente esse é o m eu trabalho — respondi.

      — Você acha que elas sobrevivem se você tirar um a noite de folga?

      — Verem os.

      Ele sorriu para m im e tocou m eus brincos com a ponta dos dedos.

      — Vai dem orar um a m eia hora para a banda com eçar a tocar — disse ele

      enquanto acariciava m eu pescoço e m eus om bros. Aquele toque não m e

      em polgou m uito. Se fosse Wesley fazendo o m esm o, deslizando os dedos pela

      m inha pele, eu teria…

      — Você quer que eu busque nossas bebidas antes que o bar fique m uito

      lotado?

      — É claro — falei, enquanto tentava expulsar Wesley da m inha cabeça. —

      Eu quero um a Coca… um a Coca Light.

      — Tudo bem — disse Toby. — Estarei de volta em um instante. — Ele m e

      deu um beij o no rosto e saiu em direção ao bar.

      Um a verdadeira m ultidão estava se acotovelando para passar pela porta de

      entrada do Nest. O lugar lotava quando havia bandas ao vivo. Algum as garotas do

      oitavo ano pegaram a m esa atrás de m im , gabando-se em voz alta sobre com o

      pretendiam agir no ensino m édio para serem populares. Um calouro e seus

      am igos passaram ao m eu lado com um a garrafa de cervej a m al escondida

      dentro do casaco, e com o canto dos olhos vi a caloura que Jessica e eu tínham os

      observado no j ogo de basquete algum as sem anas antes. Ela entrou de m ãos

      dadas com um garoto bonitinho que eu não reconheci. Mesm o de longe, podia

      ver seu sorriso. Ela estava linda, e eu soube que um a de suas am igas loiras

      perfeitinhas havia sido forçada a fazer o papel de Duff em sua ausência. Então

      ela e seu par desapareceram , deixando-m e com um sorriso inexplicável.

      Eu não sabia que tipo de banda ia tocar, m as, levando em conta o núm ero de

      garotos e garotas com cabelo roxo e piercing nos lábios que estavam entrando,

      achei que devia ser um a banda em o.

      Meu sorriso se apagou.

      Ótim o. Garotos chorões tocando guitarras. É a m inha cara, certo?

      Olhava em volta sem realm ente prestar atenção em nada quando ele

      apareceu no m eio da m ultidão. De início, nem percebi. Ele estava conversando

      com Harrison Carly le a cam inho do bar. Era fácil acom panhar seus m ovim entos.

      Ele era alguns centím etros m ais alto que todos à sua volta, encarava a m ultidão

      com m uito m ais confiança do que seus colegas, cam inhava por entre os outros

      garotos com m uito m ais graça do que qualquer outro adolescente de sua idade, e

      m eus olhos o seguiam sem a perm issão do m eu cérebro.

      Na m etade do cam inho para o bar, Wesley se virou na m inha direção. Seus

      olhos cinza ficaram presos aos m eus por alguns segundos. Merda. Olhei para

      outro lugar, rezando para que não tivesse notado a m inha presença, m esm o sendo

      óbvio que ele tinha.

      — Fala sério — m urm urei, apertando m eu punho contra a parte de baixo da

      m esa. — O cara está em todos os lugares!

      — Quem está em todos os lugares? — perguntou Toby, sentando-se na

      m inha frente e em purrando o copo em m inha direção.

      — Ninguém . — Dei um gole em m inha Coca Light e tentei não fazer um a

      cara estranha. A falta de açúcar deixou um gosto ruim em m inha boca. Engoli e

      perguntei: — Qual o nom e da banda que vai tocar hoj e?

      — Lágrim as Negras — respondeu ele.

      O.k. Pra m im , soava com o o nom e de um a droga de m úsica em o.

      — Legal.

      — Eu nunca ouvi a m úsica deles — adm itiu Toby, passando um a das m ãos

      sobre seus cabelos loiros em corte tigelinha. — Mas um pessoal m e disse que são

      realm ente bons. Fora que são a única banda da cidade de Ham ilton. Todos os

      outros que tocam aqui vêm de Oak Hill.

      — Legal.

      Me sentindo desconfortável, m e aj eitei na cadeira. Consciente de que

      Wesley devia estar com os olhos em m im . A form a com o ele m e observava era

      insana, e eu esperava que Toby não percebesse o quanto estava m e contorcendo.

      Ele provavelm ente pensaria que eu precisava ir ao banheiro ou qualquer coisa

      assim .

      — Eu term inei O morro dos ventos uivantes — falei, tentando

      desesperadam ente com eçar um a nova conversa que pudesse afastar Wesley de

      m eus pensam entos. Dem orou um m inuto para eu perceber que provavelm ente

      esse não era o assunto ideal.

      — Você gostou? — perguntou Toby.

      — Bem , m e fez pensar em m uitas coisas. — Eu podia ter dado um tapa em

      m inha própria cara naquele instante. Não era culpa daquela porcaria de livro eu

      ter surtado? Por que fui falar nele? Era m uito tarde para m udar de assunto. Toby

      estava m uito anim ado em poder falar do livro com igo.

      — Eu sei, sem pre m e perguntei o que levou Em ily Brontë a criar

      personagens tão desagradáveis. Quero dizer, durante o livro inteiro, eu só

      conseguia pensar que tanto Heathcliff quanto Linton eram uns canalhas, e

      Cathy …

      Brinquei com m eu canudinho sem prestar m uita atenção no que ele dizia.

      Todas as vezes que Toby falava Heathcliff, m eus olhos autom aticam ente

      buscavam Wesley por cim a de seu om bro. Com o sem pre, ele estava lindo,

      usando j eans e um a cam iseta branca j usta por baixo de sua j aqueta de couro

      preta ligeiram ente larga. Estava de costas para o bar e com os cotovelos apoiados

      no balcão. Sozinho. Sem garota algum a se j ogando em cim a dele. Pelo am or de

      Deus, até m esm o Harrison havia desaparecido. Joe era a única pessoa próxim a o

      suficiente com quem ele podia conversar, m as parecia estar m uito ocupado com

      um bando de adolescentes góticos e sedentos.

      Os olhos de Wesley estavam fixos em m im . De onde eu estava, ficava

      difícil perceber com qual expressão m e encarava, m as ele não desviou o olhar

      nem por um segundo. Sim , aquilo estava m e dando nos nervos, porém eu sabia

      que m e sentiria desapont
    ada, até m esm o ferida, se ele desviasse os olhos. Eu

      conferia de vez em quando para ver se ainda estava sendo observada.

      — Bianca?

      Assustada, olhei para Toby novam ente.

      — Hein?

      — Você está bem ? — perguntou ele.

      Meus dedos estavam brincando com o pingente em form a de B sem que eu

      m esm a percebesse o m ovim ento. Im ediatam ente afastei a m ão da correntinha.

      — Estou bem .

      — Casey m e avisou que quando você diz isso quer dizer que algum a coisa

      vai m al — disse ele.

      Trinquei os dentes e lancei um olhar feio para m inha suposta am iga no m eio

      da pista de dança. Ela acabava de ser adicionada à lista de pessoas que eu iria

      socar m uito em breve.

      — E acredito que ela estej a certa — m urm urou Toby.

      — O quê?

      — Bianca, você acha que não estou percebendo o que está acontecendo? —

      Ele olhou por cim a do próprio om bro em direção a Wesley e, quando olhou de

      novo para m im , fez um m ovim ento afirm ativo com a cabeça. — Ele está

      olhando diretam ente para você desde que entram os aqui.

      — Ah… está?

      — Consigo ver o reflexo dele naqueles espelhos ali. E você está olhando de

      volta para ele — disse Toby. — E não é um a coisa que com eçou hoj e. Eu j á

      percebi a form a com o ele encara você na escola. Nos corredores. Ele gosta de

      você, né?

      — Eu não sei, acho que sim . — Meu Deus, que m om ento constrangedor...

      Continuei a brincar com o canudinho, acom panhando as pequenas ondas de

      bolhas que apareciam na superfície de m inha Coca-Cola. Eu não podia olhar nos

      olhos de Toby.

      — Eu nem preciso adivinhar — disse ele. — Está tão óbvio! A m aneira

      com o olha para ele m e faz achar que você está apaixonada tam bém .

      — Não! — falei, soltando o canudinho e encarando Toby. — Não! Não!

      Não! Eu não estou apaixonada por ele, o.k.?

      Toby olhou para m im com um sorrisinho nos lábios.

      — Mas você tem sentim entos por ele.

      Eu não percebi nenhum sinal de dor em seus olhos, apenas um toque de

      interesse. Isso m e deu forças para responder:

      — Sim , acredito que sim .

      — Então vá até ele.

      Sem conseguir m e controlar, revirei m eus olhos. Foi algo autom ático.

      — Meu Deus, Toby ! — falei. — Isso parece um a péssim a fala de um film e

      ruim .

      Toby deu de om bros.

      — Talvez, m as estou falando sério, Bianca. Se você sente algo por ele, devia

      ir lá agora.

      — Mas e…?

      — Não se preocupe com igo — continuou ele. — Se você está a fim do

      Wesley, deveria estar com ele agora. Nam orar com igo não vai fazer seus

      sentim entos desaparecerem … E eu devia saber disso. Definitivam ente, não se

      preocupe com igo, Bianca. A verdade é que estou na m esm a situação que você.

      Eu só não queria adm itir.

      — Com o?

      Agora Toby era quem estava encarando sua bebida, parecendo

      constrangido, em purrando os óculos de volta para o lugar.

      — Eu ainda não superei a Nina.

      — Nina, sua ex?

      Ele assentiu.

      — Nós term inam os há um m ês, m as ainda penso m uito nela. Adoro você,

      então pensei que, se saíssem os j untos, talvez conseguisse esquecê-la. E por um

      m om ento consegui m esm o, m as então…

      — Bem , então você devia ligar pra ela — sugeri. — Em vez de ficar sentado

      aqui, fazendo beicinho, devia ligar pra ela e contar tudo o que sente. Hoj e.

      Ele m e encarou novam ente.

      — Você não está brava? Não se sente usada?

      — Eu seria um a grande hipócrita, principalm ente levando em consideração

      que eu tam bém estava usando você. Mesm o que não fosse m inha intenção. — Eu

      m e levantei e m e equilibrei nos saltos altos. — E, para sua inform ação, se a Nina

      não aceitar você de volta, ela é um a burra. Acho que você é provavelm ente um

      dos caras m ais doces e educados que j á conheci. Minha paixonite por você durou

      anos. Eu realm ente queria que você fosse o cara certo pra m im .

      — Obrigado — disse Toby. — E se Wesley partir seu coração, prom eto que

      vou… Eu ia dizer dar um chute nele, m as am bos sabem os que isso é fisicam ente

      im possível. — Ele olhou para seus braços finos. — Então vou escrever um a carta

      com palavras bem fortes para ele.

      — Então é isso. — Respirei fundo e dei um beij o no rosto de Toby. — Muito

      obrigada, m esm o.

      Ele m e deu um últim o sorriso perfeito, um sorriso do qual eu m e lem braria

      para o resto de m inha vida. E disse:

      — Você está radiante. Anda logo, vai lá!

      — Certo. Vej o você na aula, Toby.

      — Adeus, Bianca.

      Respirei fundo de novo, tentando m e acalm ar, e fixei m eus olhos nos de

      Wesley. Então, com um sorriso leve no rosto, com ecei a abrir cam inho por entre

      a m ultidão, deixando para trás o cara m ais legal do m undo. A j á fam iliar m úsica

      techno havia parado de tocar, e todos na pista estavam se apertando à espera da

      banda que subiria ao palco. Tive de fazer zigue-zague entre os corpos que se

      recusavam a se m over, ninguém era educado o suficiente para m e dar passagem

      por um segundo.

      Visualizei Casey no m eio da m ultidão — sua cabeça loira m ais alta do que a

      de todos, exceto pelo j ogador de basquete ao lado dela, um garoto em quem , eu

      sabia, ela estava de olho havia sem anas; ela não ia gostar da m inha decisão. Para

      Casey, era culpa de Wesley de eu tê-la negligenciado. Ela ficaria chateada

      com igo. Ela poderia até ficar brava. Poderia pensar que eu a estava deixando

      para trás de novo. Eu ia precisar provar que ela estava errada. Provar que Toby,

      que ela sim plesm ente adorava, não era o cara certo para m im .

      Quando estava a três m etros do bar, um som alto saiu dos alto-falantes, m as

      não era a m úsica em o que eu estava esperando. Em vez disso, levei um

      trem endo susto com o som de m icrofonia. Fiquei tão apavorada que dei um

      pequeno sobressalto, o que não seria nenhum problem a com sapatos baixos.

      Acontece que m eus pés, quando atingi o chão, escorregaram e eu perdi

      com pletam ente o equilíbrio. Antes que eu pudesse m e aprum ar, torci um dos

      tornozelos, o que m e fez voar — o rosto prim eiro, naturalm ente — em direção ao

      chão. Maravilhoso. Perfeito!

      Não pude deixar de gem er de dor por causa do m eu tornozelo torcido.

      — Ai, ai, aaaaai! Meu Deus, com o odeio esses sapatos!

      — Então por que diabos você usa essa droga?

      Minha pele se arrepiou com o toque das duas m ãos que m e ergueram pelos

      om bros e tentaram m e aj udar a ficar de pé. Percebendo que eu não conseguia

      m e equilibrar, Wesley pôs seu braço por baixo dos m eus, segurou m inha cintura

      e m e aj udou a chegar até o bar.

      — Você está bem ? — perguntou, m e aj udando a sentar. Eu podia dizer pelo

      seu sorriso que ele estava enfrentando um a guerra interna para não dar um a

      gargalhada.

      — Sim — m urm urei, m e perm itindo um sorriso. Não m e sentia m ais tão

      envergonhada. Não com Wesley. Se fosse com qualquer
    outra pessoa eu teria

      corrido — ou m e arrastado — para fora do clube, m as com Wesley tudo estava

      bem . Podíam os rir disso j untos.

      O sorriso se perdeu, e o rosto dele ficou sério. Ele m e encarou por um longo

      m om ento. Seu silêncio estava m e levando à loucura quando ele finalm ente abriu

      a boca.

      — Bianca, eu…

      — Bianca! Meu Deus! — Jessica se m aterializou ao m eu lado, suas

      bochechas rosadas de tanta em polgação. Atrás dela, a banda com eçava a tocar

      (ou a tentar tocar) a versão em o de um a m úsica de Johnny Cash. O som estava

      m uito alto, m as de algum a form a Jessica conseguia fazer sua voz prevalecer. —

      Bianca, eu finalm ente a encontrei! Você viu? Harrison e eu estávam os dançando

      j untos. Acho que ele vai m e convidar pra form atura! Isso não seria m aravilhoso?

      — Que ótim o pra você, Jessica.

      — Preciso contar à Angela! — Foi então que ela viu Wesley. Um sorriso que

      eu conhecia m uito bem apareceu no rosto dela. — Vej o vocês m ais tarde. — E,

      com um salto, seu rabo de cavalo se perdeu na m ultidão.

      Wesley observou Jessica se afastando e depois disse:

      — Ela sabe que o Harrison gosta de garotos, né?

      — Deixe que ela m antenha a esperança — respondi, sorrindo para m im

      m esm a.

      Ele voltou sua atenção para m im .

      — Sim . Esperança pode ser um a coisa boa. Bianca, eu… — Ele deu um

      sorriso sarcástico. — Eu sabia que você iria se entregar, m ais cedo ou m ais tarde.

      — Ele pôs a m ão sobre m eu j oelho e com eçou a subir lentam ente pela m inha

      coxa. — Você está prestes a adm itir que m e am a, né?

      Dei um tapa em sua m ão e interrom pi seus avanços.

      — Prim eira coisa — falei —, saiba que não am o você. Am o m inha fam ília,

      talvez Casey e Jessica. Am or rom ântico leva anos pra acontecer. Portanto, eu

      não am o você. Mas vou adm itir, ando pensando dem ais em você e

      definitivam ente tenho sentim entos por você… sentim entos que não o ódio da

      m aior parte do tem po. É possível que, no futuro, eu venha a… am ar você. —

      Hesitei, um pouco assustada com as palavras que saíam da m inha boca. — Mas

      ainda quero m atar você na m aior parte do tem po.

      A ironia no sorriso de Wesley desapareceu, pois agora ele era genuíno.

      — Cara, com o eu senti sua falta. — Ele se inclinou para m e beij ar, eu

     


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