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    Duff

    Page 22
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      Estou contente de saber que o filho dele é um garoto bacana tam bém .

      — Ele é — falei.

      O som de passos veio do alto da escada, e nós dois olham os para o teto.

      — Ah… — Papai balançou a cabeça e olhou de volta para m im . — Eu

      quase m e esqueci delas. Elas ficaram suspeitam ente quietas a noite toda.

      — Sim — falei. — Acho que eu deveria subir antes de Casey ter um

      aneurism a. Vej o você pela m anhã, pai.

      — Certo — respondeu m eu pai. Ele alcançou o controle rem oto e aum entou

      o volum e da televisão. — Boa noite, Abelhinha.

      Dancei até m etade da escada antes de papai m e cham ar novam ente.

      — Ei, Abelhinha?

      Parei e m e inclinei contra o corrim ão, olhando para baixo, para a sala de

      estar.

      — Sim ?

      — O que foi que aconteceu com o Wesley ?

      Congelei, m e sentindo engasgar um pouquinho.

      — O… o quê?

      — Seu am igo. Aquele que, hã… estava com você naquela noite.

      Ele olhou para m im do sofá, arrum ando seus óculos.

      — Você não fala m uito sobre ele.

      — Não saím os m ais j untos — falei, usando aquela voz que deixava claro

      que ele não devia fazer perguntas. Todas as adolescentes conhecem aquela voz e

      a usam com seus pais com frequência. Norm alm ente, a ordem não dita é

      acatada. Meu pai m e am ava, m as ele sabia que era m elhor não analisar o dram a

      da m inha experiência do ensino m édio.

      Meu pai era esperto.

      — Ah… eu só estava im aginando…

      — Bianca! — A porta do m eu quarto se abriu, e Jessica, vestida com um

      pij am a laranj a fluorescente, deu um pulo para fora. Ela correu até m etade do

      cam inho escada abaixo e m e agarrou pelo braço. — Chega de nos fazer esperar!

      Venha nos contar tudo.

      A excitação de Jessica quase tirou a m enção de papai a Wesley da m inha

      cabeça.

      Quase.

      — Boa noite, sr. Piper! — gritou Jessica enquanto m e arrastava para m eu

      quarto.

      Depois de alguns degraus, m eus pés retom aram a dança, e eu m e lem brei

      que tinha acabado de ter o m elhor encontro de todos, com o cara dos m eus

      sonhos. Me senti contagiada pela alegria inebriante que as m inhas m elhores

      am igas expressaram assim que entrei no quarto. Dando gritinhos, pulando, m e

      anim ando… Eu tinha o direito de m e sentir feliz com aquilo. Mesm o nós, os

      cínicos, m erecem os um a noite de folga de vez em quando, certo?

      capítulo 22

      Meu bom hum or durou tanto tem po que chegou até a tarde de segunda-feira.

      Quer dizer, o que havia no m undo para m e irritar? Nada. As coisas voltaram ao

      norm al em casa. Minhas am igas não m e arrastavam para o Nest fazia sem anas.

      Ah, sim , e eu tinha acabado de ter um encontro com o garoto perfeito. Quem

      poderia reclam ar?

      — Acho que nunca vi você tão assim — observou Casey quando saíam os do

      estacionam ento dos alunos. A voz dela estava cheia de disposição, um efeito

      colateral indesej ável da prática de anim ação de torcidas, e ela pulava para cim a

      e para baixo em seu banco. — É tão anim ador!

      — Nossa, Casey, você m e faz parecer um a suicida em potencial ou algo

      assim .

      — Não é isso! — disse ela. — É só que você não está tão am arga

      ultim am ente quanto costum a ser. É um a m udança boa.

      — Eu não sou am arga.

      — Você é. — Ela esticou o braço e deu um tapinha no m eu j oelho. — Mas

      tudo bem , B. É só um a parte da sua personalidade. Nós a aceitam os. Mas você

      não está sendo am arga nos últim os tem pos, e isso é incrível. Não leve isso com o

      um insulto.

      — Que sej a. — E dei um sorriso.

      — Viu? — gritou Casey. — Você deu um sorrisinho. Você não consegue

      parar, né? Com o eu disse, você está m ais feliz do que j am ais vi.

      — Certo, talvez você estej a um pouco certa — adm iti. Era m eio que

      verdade. Eu tinha Casey e Jessica de volta. As coisas estavam norm ais com

      papai. Por que reclam ar?

      — Sem pre estou. — Ela se inclinou para a frente e m udou o rádio para

      algum a porcaria de estação que tocava as Top 40.

      — Então, o que há entre você e Toby? Algo que valha um a fofoca?

      — Não realm ente. Ele vai lá em casa hoj e à tarde.

      — Uuh! — Ela recostou no banco e piscou para m im . — Para m im , vale

      um a fofoca. Você com prou preservativos extragrandes, certo?

      — Cala a boca — falei. — Não é esse tipo de coisa, e você sabe disso. Ele só

      vai passar lá em casa para trabalharm os em nossas redações dissertativas para a

      aula de organização política avançada. É…

      Fui interrom pida quando m eu celular, que estava no porta-copos, com eçou a

      vibrar e tocar um a m úsica alta. Meus dedos de im ediato agarraram o volante.

      Sabia para quem eu program ara aquele toque, e aqueles poucos tons foram

      suficientes para destruir m inha tarde inteira.

      — Britney Spears? Você tem Womanizer com o toque do seu celular, sério?

      Meu Deus, B, essa m úsica é tão 2008 — riu Casey.

      Não respondi.

      — Você não vai atender?

      — Não.

      — Por que não?

      — Porque não quero falar com ele.

      — Com quem ?

      Não respondi, então Casey apanhou m eu celular e conferiu o identificador

      de cham adas. Ela deixou escapar um suspiro de quem entendeu tudo. Poucos

      segundos depois, a m úsica parou de tocar, m as eu não consegui obrigar m eu

      corpo a relaxar novam ente. Eu estava tensa e ansiosa, e não aj udava saber que

      Casey tinha os olhos grudados em m im .

      — Você não falou com ele?

      — Não — m urm urei.

      — Desde o dia em que eu peguei você na casa dele?

      — A-hã.

      — Ah, B… — suspirou ela.

      O carro ficou quieto — bem , exceto pelo som irritante de um a cantora pop

      pouco talentosa no rádio, m as ela estava m uito ocupada reclam ando de seu

      nam orado traidor para se im portar com m eus problem as.

      — O que você acha que ele quer? — perguntou Casey, quando a m úsica

      acabou. Ela parecia um pouco am arga.

      — Conhecendo Wesley … provavelm ente está ligando porque está a fim de

      uns am assos — resm unguei. — Nunca é nada além disso.

      — Bem , então foi bom que você não tenha atendido. — Ela devolveu m eu

      celular ao porta-copos e cruzou os braços sobre o peito. — Porque ele não

      m erece você, B. E você está com Toby agora, e ele é perfeito e a trata da

      m aneira com o deveria ser tratada… ao contrário do babaca.

      Parte de m im queria fazê-la parar. Queria defender Wesley. Ele não tinha

      de fato m e tratado m al. Quer dizer, sim , ele tinha incessantem ente m e cham ado

      de Duff, o que havia sido irritante e doloroso, m as, acim a de tudo, Wesley tinha

      sido bom para m im .

      Mas não contei isso a Casey. Não disse nada. Ela não sabia com o havia sido

      aquela últim a noite com Wesley, com o ele tinha sido m eu am igo por m ais ou

      m enos doze horas seguidas. Ela não sabia sobre a recaída de m eu pai ou a

      m aneira com o Wesley m e apoiara. Aq
    uelas eram coisas que eu nunca poderia

      lhe contar.

      Ela estava irritada com Wesley apenas porque estava assustada. Assustada

      que eu corresse de volta para ele e esquecesse dela e de Jessica novam ente.

      Defender Wesley não aj udaria a dim inuir aquele tem or.

      Toby tinha passado de nerd para herói na m ente de Casey em um a questão

      de dias, sim plesm ente porque não havia m e tirado dela. Eu não ia passar todas as

      tardes com ele com o passei com Wesley. Não queria, realm ente. Algum as vezes

      aquilo m e assustava, m as entendi que era norm al. Era um a relação saudável e

      não escapista, ao contrário da que eu tive com Wesley. E, naquele m om ento,

      estava realm ente feliz por passar algum tem po com m inhas am igas.

      Em biquei o carro na casa de Casey e apertei a trava autom ática da m inha

      porta.

      — Não se preocupe com igo. Você está certa. Toby é incrível e ele fez com

      que fosse m ais fácil seguir em frente. Já segui em frente. As coisas estão indo

      bem pra m im , então não se preocupe.

      — Certo — disse ela. — O.k. Bem , vej o você am anhã, B.

      — Tchau.

      Casey saiu do carro e eu fui em bora, pensando por que tinha acabado de

      m entir para ela. Honestam ente, não tinha certeza.

      No cam inho de casa, Wesley ligou de novo.

      Eu o ignorei.

      Porque as coisas estavam indo bem para m im .

      Porque eu estava seguindo em frente.

      Porque falar em um celular e dirigir ao m esm o tem po não é seguro.

      Tirei Wesley da m inha cabeça quando vi o carro de Toby estacionado na

      frente da m inha casa. Papai ainda não havia chegado do trabalho, então Toby

      estava sentado nos degraus da varanda da frente com um livro. A arm ação dos

      óculos dele, refletindo o sol, parecia brilhar. Era com o se Toby fosse um troféu.

      Desci do carro e m e apressei pelo cam inho até ele.

      — Ei! — cham ei. — Foi m al. Precisei levar Casey em casa.

      Ele olhou para m im com um sorriso.

      Não um sorrisinho enviesado…

      Precisei m e dar um a sacudidela m ental. Não ia pensar em Wesley. Não ia

      m e perm itir sentir falta dele. Não quando eu tinha Toby. O doce, o norm al, o

      Toby do sorriso brilhante.

      — Tudo bem — disse ele. — Estou aproveitando o tem po. É tão im previsível

      na prim avera... — Ele enfiou o m arcador nas páginas do seu rom ance. — É bom

      tom ar um pouquinho de sol.

      — Brontë? — perguntei, vendo a capa do livro. — O morro dos ventos

      uivantes? Não é m eio fem inino, Toby ?

      — Você leu?

      — Bem , não — adm iti. — Li Jane Eyre, que definitivam ente estava cheio

      das prim eiras m anifestações do fem inism o. Não estou dizendo que é um

      problem a. Eu m esm a sou totalm ente fem inista, m as é um pouco incom um ver

      um m enino lendo isso.

      Toby balançou a cabeça.

      — Jane Eyre é de Charlotte Brontë. O morro dos ventos uivantes é de Em ily.

      As irm ãs são m uito, m uito diferentes. Sim , O morro dos ventos uivantes é

      norm alm ente considerado um a história de am or, m as não concordo com isso. É

      quase um a história de suspense, e há m ais ódio do que rom ance. Os personagens

      são cruéis, m im ados e egoístas… É m eio com o assistir a um episódio de Gossip

      Girl no século XVIII. Exceto, é claro, que é bem m enos ridículo.

      — Interessante — m urm urei, desapontada porque eu assistia secreta e

      regularm ente a Gossip Girl.

      — Não é um dos favoritos da m aioria dos garotos da m inha idade, acho —

      disse ele. — Mas é um divisor de águas. Você devia lê-lo.

      — Eu poderia.

      — Você devia.

      Sorri e balancei a cabeça.

      — Você está pronto para entrar ou o quê?

      — Com certeza. — Ele bateu o livro ao fechá-lo e ficou de pé.

      — Você prim eiro.

      Destranquei a porta e deixei que Toby entrasse na m inha frente, e ele

      im ediatam ente tirou os sapatos. Não que vivêssem os com o porcos ou algo assim ,

      m as nunca ninguém fez isso em nossa casa. Eu não pude deixar de ficar

      im pressionada.

      — Onde vam os trabalhar? — perguntou ele.

      Percebi subitam ente que eu o estava encarando e desviei o olhar.

      — Ah — falei casualm ente. — Hum … no m eu quarto? Tudo bem ? — Meu

      Deus, espero que ele não pense que sou uma louca perseguidora por ficar olhando

      para ele dessa maneira.

      — Se não incom odar você — disse Toby.

      — Não, tudo bem . Venha.

      Ele m e seguiu escada acim a. Quando chegam os ao m eu quarto, abri um a

      fresta da porta, conferindo rapidam ente se havia itens em baraçosos (sutiãs,

      calcinhas etc.) j ogados no chão. Claro que a barra estava lim pa — e, rezando

      para que eu não tivesse sido m uito óbvia, abri bem a porta e fiz um gesto para

      Toby entrar.

      — Desculpe por estar um pouco bagunçado — falei, olhando para a pilha de

      roupas lim pas m as não dobradas que sem pre ficavam no chão, aos pés da m inha

      cam a, e tentando não pensar na últim a vez em que tive um garoto em m eu

      quarto e em com o ele tinha rido da m inha arrum ação neurótica de roupas.

      O que Toby pensaria daquilo?

      — Tudo bem . — Toby m oveu um a pilha de livros vencidos da biblioteca da

      m inha cadeira e a colocou sobre a m esa. Depois ele se sentou. — Tem os

      dezessete anos. Supostam ente nossos quartos devem ser bagunçados. Não seria

      natural se eles não fossem .

      — Acho que não. — Subi na m inha cam a e m e sentei com as pernas

      cruzadas. — Só não queria que isso incom odasse você.

      — Nada a seu respeito m e incom oda, Bianca.

      Usei todas as m inhas forças para ignorar o quanto aquilo pareceu piegas.

      Sorri, de qualquer form a, e baixei os olhos para o m eu edredom roxo.

      Nunca tinha recebido tantos elogios de um a única pessoa e não era m uito boa em

      aceitá-los. Em grande parte, porque eu sem pre estive ocupada dem ais fazendo

      piada de com o pareciam sentim entais. Mas eu estava trabalhando naquilo.

      E, verdade sej a dita, estava m eio que enrubescida.

      Eu nem m esm o percebi que Toby tinha se m exido até que ele se sentou ao

      m eu lado.

      — Desculpa — disse ele. — Eu deixei você envergonhada?

      — Não… bem , sim , m as de um j eito bom .

      — Contanto que sej a de um j eito bom .

      Ele se inclinou e m e beij ou no rosto, m as eu não deixei que ele parasse.

      Virei a cabeça e com prim i os lábios contra os dele, bem quando Toby com eçava

      a se afastar. Não foi tão suave quanto esperei. Quero dizer, os óculos dele m eio

      que m e nocautearam no rosto por um segundo, m as fingi que não tinha

      percebido.

      Seus lábios eram tão m acios que fiquei im aginando se ele usava brilho

      labial. Sério, ninguém tem lábios tão perfeitos naturalm ente, certo? Ele deve ter

      ficado com noj o dos m eus, que provavelm ente lhe deram a sensação de estarem

      ásperos e escam osos.

      Mas, se ele ficou com asco, não dem onstrou. Sua m ão acariciou m eu braço

      e pousou em m eu om bro, m e puxando um pouquinho m ais para perto. Ficam os

      sentados ali na m inha cam a e nos beij am os po
    r alguns m inutos, porém o som do

      m eu celular interrom peu o m om ento. Merda!

      E, é claro, era o m esm o toque da Britney Spears — o único que eu não

      queria ouvir naquele exato m om ento — que parecia gritar com igo. Toby se

      afastou e olhou para o chão, onde eu tinha deixado m inha bolsa. Quando não m e

      m exi, ele se virou para m im com as sobrancelhas erguidas.

      — Ignorando alguém ? — perguntou ele.

      — Aham .

      — Tem certeza de que não precisa atender?

      — Tenho, sim .

      Antes de ele perguntar m ais algum a coisa, eu o beij ei novam ente. Com

      força dessa vez. E, em bora tenha hesitado por um instante, ele correspondeu. Eu

      m e atrapalhei para tirar seus óculos e os coloquei sobre a m esa de cabeceira ao

      lado da m inha cam a antes de nossos braços se entrelaçarem , e o beij o foi se

      aprofundando.

      Eu o puxei sobre m eus travesseiros. Não havia espaço suficiente para nós

      dois em m inha cam a de solteiro, então ele teve de deitar parcialm ente sobre

      m im . Um a de suas m ãos estava no m eu cabelo, e a outra descansava perto do

      m eu cotovelo.

      Ele não estava tentando agarrar m eu peito, não deslizou a m ão por dentro da

      m inha cam iseta, tam pouco tentou abrir m eu j eans.

      Na verdade, Toby não tentou nada arriscado. Tive a sensação de que eu ia

      precisar fazer todos os grandes lances, com o abrir os botões da cam isa dele, o

      que eu fiz.

      Por um instante, m e perguntei se ele estava hesitante por m inha causa.

      Porque eu era um a Duff. Porque ele não m e achava realm ente atraente. A

      despeito de todos os elogios que m e fez, não parecia que ele m e queria. Não do

      j eito que Wesley quis.

      Não. Eu sabia que aquilo não estava certo. Não era que Toby não quisesse as

      grandes coisas — ele era um adolescente, afinal de contas —, m as era um

      cavalheiro. Um garoto paciente e respeitoso que não queria extrapolar nenhum

      lim ite. E nós só estávam os nam orando havia alguns dias.

      Aquilo fazia de m im um a vadia? O fato de que nós só estávam os nam orando

      há, tipo, quatro dias e eu j á estava rolando com ele em m inha cam a m inúscula?

      Será que m eu caso com Wesley tinha distorcido totalm ente m inha percepção

      sobre o sexo?

      Ou todas as garotas faziam assim ?

      Vikki tinha dorm ido com a m aioria de seus nam orados no prim eiro encontro.

     


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