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    Duff

    Page 21
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      am assos com Jake no fundo de um cinem a um encontro.

      Eu não considerava.

      Mas por quê? Por que Toby ia querer sair comigo? Eu era um a Duff. Duffs

      não têm encontros. Não os verdadeiros. E ainda assim ali estava Toby, contra

      todas as probabilidades. Talvez ele fosse um hom em m elhor do que a m aioria.

      Exatam ente com o eu sem pre im aginara nos m eus sonhos de garota estúpida,

      infantil e com um . Ele não era vazio. Não era orgulhoso. Não era convencido

      nem vaidoso. Um perfeito cavalheiro.

      — Isso é bom — disse ele. — Nesse caso… — Eu podia dizer que ele estava

      nervoso. Seu rosto estava enrubescendo, e ele olhava fixam ente para os sapatos e

      brincava com os óculos. — Sexta-feira? Você gostaria de sair com igo na sexta-

      feira à noite?

      — Eu gostaria…

      Então o inevitável aconteceu. Pensei no im becil. No babaca. No pegador. Na

      única pessoa que poderia estragar esse m om ento. Sim , eu tinha um a queda por

      Toby Tucker. Com o não poderia ter? Ele era doce, e charm oso, e esperto… Mas

      m eus sentim entos por Wesley iam m uito além disso. Eu saí da paixonite da

      piscina de bolinhas direto para o profundo oceano das em oções, infestado de

      tubarões. E, se você m e perdoar a m etáfora dram ática, eu era um a péssim a

      nadadora.

      Mas Casey tinha m e dito para seguir em frente, e ali estava Toby, m e

      j ogando um a boia e se oferecendo para m e salvar do afogam ento. Eu seria

      estúpida se não aceitasse. Só Deus sabia quanto tem po poderia levar antes de

      outro resgate aparecer.

      E, puxa, Toby era adorável.

      — Eu gostaria m uito — respondi, esperando que m inha pausa não o tivesse

      assustado dem ais.

      — Ótim o. — Ele soou aliviado. — Pego você às sete na sexta-feira.

      — Legal.

      Nós nos separam os no refeitório, e acho que eu saltitei — sim , saltitei, com o

      um a criancinha — até a m esa do alm oço, m eu m au hum or tinha sido totalm ente

      esquecido.

      E ele perm aneceu esquecido.

      Pelo resto daquela sem ana, não pensei em com o não devia estar pensando

      em Wesley. Não pensei em Wesley, de m odo algum . Nenhum a vez. Meu cérebro

      estava m uito cheio de pensam entos do tipo Que roupa devo vestir? , e devo

      arrumar meu cabelo? Todas as coisas com as quais nunca tinha m e preocupado.

      Olha, que coisa surreal!

      Mas aquelas eram as coisas em que Casey e Jessica eram experts, então

      elas vieram com igo para casa na sexta-feira à tarde, ansiosas para m e

      transform ar em um a Barbie gigante. Se eu não estivesse tão nervosa por causa

      do encontro, teria ficado horrorizada por ver m inhas convicções fem inistas sendo

      atacadas por todo aquele em bonecam ento e pela anim ação delas.

      As m eninas m e obrigaram a experim entar, tipo, vinte produções diferentes

      (odiei todas) antes de se decidirem por um a. Dei piruetas em um a saia preta na

      altura do j oelho e num a blusa turquesa, que revelava o suficiente para que se

      adivinhasse a curva dos m eus seios pequenos. Depois elas passaram o resto do

      tem po usando um a chapinha no m eu cabelo cacheado. Levou duas horas — e, a

      propósito, não estou exagerando — para alisá-lo com pletam ente.

      Já eram 18h50 quando m inhas am igas m e posicionaram na frente do

      espelho para exam inar o trabalho delas.

      — Perfeita — anunciou Casey.

      — Fofa! — concordou Jessica.

      — Está vendo, B — disse Casey. — Toda aquela bobagem de Duff é

      ridícula. Você está supergostosa agora.

      — Que… ahn, que negócio de Duff é esse? — perguntou Jessica.

      — Não é nada — falei.

      — B acha que ela é a feia do grupo.

      — O quê? — gritou Jessica. — Bianca, você realm ente acha isso?

      — É bobagem .

      — Ela acha — disse Casey. — Ela m e disse.

      — Mas você não é, Bianca! — insistiu Jessica. — Com o pôde pensar isso?

      — Jessica, não se preocupe com isso — falei. — Não é nada…

      — Eu sei — disse Casey. — Não é um a coisa estúpida? Ela não é gostosa,

      Jess?

      — Ela é supergostosa.

      — Viu, B. Você é supergostosa.

      Suspirei.

      — Obrigada, m eninas. — Hora de m udar de assunto. — Então, hum , com o

      vocês vão pra casa? Não posso levar vocês, j á que Toby vai m e apanhar em dez

      m inutos. Seus pais vêm buscá-las?

      — Ah, não — disse Jessica. — Não vam os em bora.

      — O quê?

      — Vam os estar aqui quando você voltar do seu encontro — inform ou Casey.

      — Então vam os ter um a superfesta do pij am a pra contar tudo, em hom enagem

      ao prim eiro grande encontro da nossa B.

      — Siiiiiiim ! — cantarolou Jessica.

      Olhei para elas com cara de tonta.

      — Vocês não estão falando sério.

      — A gente parece estar brincando? — perguntou Casey.

      — Mas o que vocês vão fazer enquanto eu estiver fora? Vocês não vão ficar

      entediadas ou algo assim ?

      — Você tem TV — relem brou Jessica.

      — E é tudo de que realm ente precisam os — disse Casey. — Nós j á falam os

      com seu pai. Você não tem opção.

      A cam painha tocou antes que eu pudesse continuar argum entando, e m inhas

      am igas praticam ente m e em purraram escada abaixo. Assim que chegam os à

      sala de estar, elas com eçaram a alisar m inha saia e a aj ustar a gola da m inha

      blusa, tentando m axim izar a quantidade de decote que eu m ostrava.

      — Você vai ter um encontro tão legal… — Casey suspirou feliz, aj eitando o

      cabelo atrás da m inha orelha. — Você vai superar o Wesley sem dem ora.

      Meu estôm ago se contraiu.

      — Shhh… Casey … — sussurou Jessica.

      Eu sabia que Casey contara a história toda para ela, m as Jess não tinha feito

      nenhum com entário a respeito, o que eu agradecia. Eu realm ente gostaria de

      m anter m inha m ente tão longe de Wesley quanto possível.

      Eu não falava com Wesley desde a m anhã em que deixara a casa dele. Ele

      tinha tentado falar com igo um a ou duas vezes depois da aula de inglês. Eu apenas

      o evitava, com eçando a conversar com Jessica ou com Casey e correndo para

      fora da sala de aula o m ais rápido possível.

      — Ai, m eu Deus, m e desculpe! — disse Casey, m ordendo os lábios. — Eu

      não pensei… — Ela pigarreou de um j eito estranho e coçou a cabeça,

      bagunçando o cabelo curto.

      — Divirta-se! — disse Jessica, dissipando o clim a desagradável. — Mas,

      você sabe, não se divirta demais. Meus pais podem não gostar tanto de você se eu

      precisar pagar sua fiança na cadeia.

      Eu ri. Só Jessica poderia nos salvar desses m om entos constrangedores com

      tanta graça e anim ação.

      Olhei para Casey e pude ver um a faísca de m edo em seu olhar. Ela queria

      que eu seguisse em frente depois de Wesley, porém eu sabia que ela estava

      preocupada. Preocupada que eu a deixasse de lado novam ente. Preocupada que

      Toby a substituísse.

      Mas ela não tinha nada com que se preocupar. Isso era totalm ente diferente

      do m eu relacionam ento com Wesley. Eu não estava m ais fugindo. Não d
    a

      realidade. Não das m inhas am igas. Não de coisa algum a.

      Sorri para tranquilizá-la.

      — Vai! Vai! — Jessica esganiçou, seu rabo de cavalo loiro balançando

      enquanto dava pulinhos excitados.

      — Isso! — disse Casey, sorrindo de volta para m im . — Não deixe o garoto

      esperando.

      Elas m e em purraram até a porta e desapareceram escada acim a em um a

      nuvem de risadas e cochichos.

      — Loucas — resm unguei, balançando a cabeça e lutando contra um

      sorrisinho.

      Respirei fundo e abri a porta.

      — Ei, Toby.

      Ele estava parado na m inha varanda, fofo com o sem pre, em um blazer

      azul-m arinho e um a calça cáqui. Ele parecia um Kennedy. Com seu corte de

      cabelo tigelinha. Toby m e deu um grande sorriso que deixou à m ostra todos os

      seus dentes de m arfim .

      — Oi — respondeu ele, adiantando-se para ficar bem na m inha frente. Ele

      tinha esperado por m im apoiado no batente. — Foi m al. Decidi esperar. Ouvi

      risadinhas.

      — Ah. — Olhei por cim a do om bro. — Sim . Desculpa por aquilo.

      — Uau. Você está linda, Bianca!

      — Não, não estou — falei, totalm ente envergonhada. Nenhum cara, a não

      ser m eu pai, j am ais tinha dito um a coisa assim para m im .

      — É claro que está — disse ele. — Por que eu m entiria?

      — Não sei. — Ah, uau, eu era um a tonta. Por que não podia sim plesm ente

      aceitar um elogio? E se eu o afugentasse antes m esm o de com eçarm os o

      encontro? Nossa, isso seria um a droga. Lim pei a garganta e tentei fingir que não

      estava secretam ente com vontade de m e estapear.

      — Então, estam os prontos pra ir? — perguntou Toby.

      — Sim .

      Saí de casa e fechei a porta atrás de m im . Toby pegou m eu braço e m e

      conduziu pela calçada até seu Taurus prateado. Ele até abriu a porta do

      passageiro para m im , com o os m eninos fazem naqueles film es antigos. Muito

      educado. Eu não podia deixar de pensar, de novo, por que no m undo um cara

      com o ele estaria interessado em m im . Ele enfiou a chave na ignição e se virou

      para m e dar outro sorriso. O sorriso dele era, definitivam ente, seu m elhor

      atributo. Então sorri de volta, sentindo pequenas borboletas voando dentro do m eu

      estôm ago.

      — Espero que você estej a com fom e — disse ele.

      — Fam inta — m enti, sabendo que estava nervosa dem ais para com er.

      Na hora em que saím os do Giovanni’s, um pequeno restaurante italiano em Oak

      Hill, eu j á estava um pouquinho m ais à vontade. Meus nervos estavam se

      assentando, e até havia conseguido com er um a tigela pequena de espaguete ao

      m olho sugo. Estávam os rindo e conversando, e eu estava m e divertindo tanto que

      não queria que o encontro acabasse quando Toby pagou a conta. Para a m inha

      sorte, pois ele se sentia da m esm a m aneira.

      — Sabe — disse ele enquanto os sininhos da porta ressoaram atrás de nós. —

      São apenas nove e m eia. Eu não tenho de levar você pra casa ainda… a m enos

      que você queira ir, e nesse caso, tudo bem , claro.

      — Não — falei. — Não estou com pressa de voltar pra casa. Mas o que

      você quer fazer?

      — Bem , podem os cam inhar — sugeriu Toby. Ele gesticulou para a calçada

      que corria ao lado da rua m ovim entada. — Não é m uito em polgante, m as

      podem os olhar as vitrines, ou conversar, ou…

      Eu sorri para ele.

      — Andar parece divertido.

      — Que ótim o.

      Ele m e deu o braço, e com eçam os a cam inhar pela calçada bem ilum inada.

      Passam os por algum as loj as pequenas antes de um de nós falar. Graças a Deus,

      Toby abriu a boca prim eiro porque, em bora eu não estivesse m ais tão nervosa

      quanto antes, não tinha a m enor ideia do que poderia dizer para não soar com o

      um a com pleta idiota.

      — Bem , j á que você sabe tudo sobre m inha situação na faculdade, quero

      saber sobre a sua. Você j á se candidatou para algum lugar? — perguntou ele.

      — Sim . Já m e candidatei a duas, m ais ou m enos, m as ainda não escolhi.

      Acho que estou m eio que procrastinando.

      — Você sabe em que quer se graduar?

      — Provavelm ente em j ornalism o — falei. — Mas… não sei. Sem pre quis

      ser repórter do New York Times. Então m e candidatei a algum as universidades em

      Manhattan.

      — A Grande Maçã — disse ele, concordando. — Am biciosa.

      — Sim , bem , m e im agino term inando com o aquela garota em O diabo veste

      Prada — falei. — Um a perdedora trabalhando em algum a revista de m oda

      estúpida quando tudo o que eu realm ente quero fazer é escrever sobre eventos

      m undiais ou entrevistar congressistas revolucionários… com o você será.

      Ele m e lançou um olhar.

      — Ah, você não seria um a perdedora.

      — Que sej a. — Eu ri. — Você consegue m e im aginar escrevendo sobre

      m oda? Um setor no qual um a pessoa que usa tam anho 40 é considerada gorda?

      De j eito nenhum . Eu acabaria m e suicidando.

      — Algo m e diz que você seria boa em qualquer coisa que tentasse —

      arriscou ele.

      — Algo m e diz que você está m e baj ulando um pouquinho, Toby.

      Ele deu de om bros.

      — Talvez, m as não dem ais. Você é bem boa, Bianca. Você fala de um j eito

      sincero, não parece tem er ser você m esm a, e é dem ocrata. Para m im , isso torna

      você incrível.

      Então eu corei. Alguém pode m e j ulgar?

      — Obrigada, Toby.

      — Não há nada pelo que m e agradecer.

      Uau. Toby era perfeito ou o quê? Fofo, educado, engraçado… e ele gostava

      de m im , por algum a razão desconhecida. Era com o se tivéssem os sido feitos um

      para o outro. Com o se ele tivesse a peça do quebra-cabeça que se encaixava na

      m inha. Será que eu poderia ser m ais sortuda?

      Um a brisa fria de m arço estava soprando, e com ecei a m e arrepender de

      ter deixado Casey e Jessica m e vestirem . Elas nunca tinham sido sensíveis às

      estações quando o assunto era roupa. Minhas pernas nuas estavam congelando

      (elas não tinham m e deixado usar m eia-calça), e o tecido fino da m inha blusa

      definitivam ente não m e protegia do vento. Trem i e cruzei os braços em torno de

      m im m esm a em um esforço para m e aquecer.

      — Ah, tom e — disse Toby. Ele tirou o blazer, bem com o dizem que os

      garotos deveriam fazer, e o segurou para que eu o vestisse. — Você deveria ter

      m e dito que estava com frio.

      — Estou bem .

      — Não sej a boba. — Ele m e aj udou a vestir as m angas. — Honestam ente,

      eu preferiria não nam orar um picolé.

      Namorar? Quero dizer, este era um encontro, m as estávam os namorando

      agora? Eu nunca tinha nam orado ninguém , então não estava realm ente certa. De

      qualquer form a, ouvi-lo dizer aquilo m e deixou m uito feliz… e estranham ente

      nervosa ao m esm o tem po.

      Toby m e virou de frente para ele e arrum ou o blazer em volta de m eu

      pescoço e dos m eus om bros.

      — Obrigada — m urm urei.

      Estávam os na frente de um a velha loj a de antiguidades. Suas vitrines

      estavam ilum inadas pelas l
    uzes de lum inárias extravagantes e antiquadas, com o

      aquelas da sala do m eu avô. O brilho se espalhava pelo rosto anguloso de Toby,

      fazendo a arm ação de seus óculos reluzir e destacando seus olhos am endoados…

      que estavam fixos em m im .

      Seus dedos ainda estavam pousados na gola do blazer. Então sua m ão

      deslizou do m eu om bro para m eu m axilar. Seu polegar passou pelo m eu rosto,

      indo e vindo, vez após vez. Ele se inclinou em m inha direção vagarosam ente, m e

      dando tem po suficiente para im pedi-lo se eu quisesse. Sim , até parece! Com o se

      eu sonhasse em fazer um a coisa dessas...

      E ele m e beij ou. Não foi um beij o ousado, m as tam bém não foi só um

      selinho. Foi um beij o de verdade. Gentil e doce e longo. O tipo de beij o que eu

      queria com partilhar com Toby Tucker desde que tinha quinze anos, e foi

      exatam ente o que sem pre im aginei que seria. Os lábios dele eram m acios e

      quentes, e o j eito com o eles se m overam contra os m eus fez as borboletas na

      m inha barriga esvoaçarem furiosas.

      Certo. Eu sei, eu sei. Acho um pavor quando casais de nam orados ficam se

      agarrando em público, m as nossa. Eu estava distraída dem ais para m e im portar

      com quem quer que estivesse nos observando. Então, sim , eu pus m inhas

      convicções de lado por um segundo e j oguei m eus braços em volta do pescoço

      dele. Quero dizer, eu podia voltar para m inha cruzada contra am assos em público

      pela m anhã.

      Eu m e esgueirei para dentro de casa às onze naquela noite e encontrei papai

      esperando por m im no sofá. Ele sorriu e colocou a TV no m udo.

      — Ei, Abelhinha.

      — Oi, papai. — Fechei e tranquei a porta da frente. — Com o foi sua reunião

      do AA?

      — Estranha — adm itiu papai. — É estranho estar de volta… m as vou m e

      acostum ar. E você? Com o foi seu encontro?

      — Incrível. — Suspirei. Meu Deus, eu não conseguia parar de sorrir. Papai

      provavelm ente ia pensar que eu tinha passado por um a lobotom ia ou algo assim .

      — Isso é bom — disse papai. — Me diga novam ente, com quem foi que

      você saiu? Desculpe. Não consigo m e lem brar do nom e dele.

      — Toby Tucker.

      — Tucker? — repetiu papai. — Você está falando do filho de Chaz Tucker?

      Ah, isso é ótim o, Abelhinha. Chaz é um bom hom em . Ele é o diretor de

      tecnologia de um a em presa no centro e sem pre vem à loj a. Fam ília m aravilhosa.

     


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