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    Duff

    Page 23
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      Mas a escola inteira achava que Vikki era um a vagabunda.

      Casey tinha dorm ido com Zack só um a sem ana depois de eles terem

      com eçado a sair.

      Casey tinha quinze anos na época, e Zack foi seu prim eiro nam orado de

      verdade. Ela foi ingênua e estúpida e não hesitou em adm itir que aquilo tinha sido

      um grande erro.

      Entretanto eu sabia que não m e sentiria daquele j eito com Toby. Quer dizer,

      era eu que estava forçando a barra. Eu queria ir adiante com ele. Porque gostava

      dele. Porque ele era fofo e doce. Porque não tinha vergonha de nam orar com igo.

      Não podia pensar em um a única boa razão para não dorm ir com ele.

      Pelo am or de Deus, eu só queria parar de pensar. Eu o beij ei com m ais

      força, puxei-o para m ais perto, tentando recriar aquela sensação de

      entorpecim ento da m ente que tivera antes… com Wesley. Mas não estava

      funcionando. Eu não conseguia parar de pensar.

      Abri o resto dos botões da cam isa de Toby e o aj udei a j ogá-la no chão. Ele

      era m eio m agricela, com poucos m úsculos — Casey o teria cham ado de

      “m agrelo chique” ou algo assim . Hesitante, suas m ãos com eçaram a levantar a

      bainha da m inha cam iseta. Ele se m oveu lentam ente, caso eu quisesse pará-lo.

      Da m esm a m aneira que m e beij ou, sem pre preocupado que pudesse ter

      ultrapassado algum lim ite. Eu enganchei m inha perna em volta de sua cintura e

      colei m eu corpo ao dele. Sem lim ites. Talvez não houvesse lim ites. Talvez eu

      nunca tenha tido lim ites pra com eço de conversa.

      Só Deus sabe quanto tem po ficam os nos pegando na m inha cam a, as peças

      de roupa sendo tiradas bem devagarinho. Eu j á estava sem fôlego quando Toby

      ousou tirar m inha cam iseta pela cabeça e a j ogou no tapete. Enquanto um a parte

      de m im apreciava sua paciência, eu não podia deixar de pensar: Demorou

      demais.

      Eu podia sentir a m ão dele subindo — a passo de tartaruga — na direção do

      fecho do m eu sutiã. Nesse ritm o, seria m eia-noite antes que o tirasse, e por

      algum a razão m e senti aflita e ansiosa. Eu queria que ele o tirasse. Queria m e

      sentir atraente e desej ada. Queria parar de pensar. Então eu o em purrei para

      longe e m e sentei, as m inhas pernas ainda em volta dele. Nós dois estávam os

      ofegantes, olhando um para o outro.

      — Você tem certeza disso? — sussurrou Toby.

      — Muita.

      Estiquei o braço para trás para abrir o fecho, m as, bem quando m eus dedos

      alcançaram o gancho, houve um a batida na porta do m eu quarto.

      — Bianca?

      Toby e eu pulam os de susto. Nossos pescoços se viraram bem quando a

      porta se abriu.

      Wesley Rush olhava fixam ente para nós, congelado no lim iar da porta.

      capítulo 23

      — Ah, m eu Deus! — m urm urei enquanto Toby e eu fazíam os um esforço

      frenético para nos recom por. Ele pulou para fora da m inha cam a e apanhou a

      cam isa no chão, o rosto brilhando de tão verm elho. Estiquei o braço e peguei

      m inha cam iseta. — Wesley, com o você entrou aqui? — exigi saber.

      — A porta estava destrancada — disse ele. — Você não atendeu quando eu

      bati… e agora sei por quê. — Os olhos escuros dele estavam enorm es, com o que

      eu só podia adivinhar ser o choque transform ando-se com rapidez em noj o, e ele

      olhou diretam ente para Toby.

      Por que ele estava chocado?

      Por que ele não pensava que algum outro cara ficaria com um a Duff?

      — Mas o que você está fazendo aqui? — perguntei, sentindo um a aceleração

      súbita de raiva surgir dentro das m inhas veias. Enfiei m inha cam iseta pela

      cabeça e fiquei de pé.

      — Você não atendia o telefone — m urm urou Wesley. — Estava

      preocupado, m as parece que você está bem . — Ele olhou com raiva para Toby

      por um m om ento antes de olhar de volta para m im . — Estava errado.

      Agora era ele quem parecia bravo.

      Bravo e ferido.

      Eu não entendia.

      Olhei para Toby. Ele tinha vestido e abotoado a cam isa e olhava de um j eito

      estranho para os pés.

      — Ei — falei. Toby ergueu os olhos para m im . — Já volto, tá?

      Ele concordou.

      Em purrei Wesley para o corredor com um a das m ãos e fechei a porta do

      m eu quarto com a outra.

      — Meu Deus, Wesley — sibilei irritada enquanto o em purrava escada

      abaixo. — Eu sem pre soube que você era um pervertido, m as m e espiar? Isso é

      um novo nível assustador.

      Deduzi que ele tinha algo a dizer a respeito daquilo. Algo arrogante e

      convencido. Ou talvez só m e provocasse, do j eito que sem pre fez. Mas Wesley

      apenas m e encarou, um a expressão séria no rosto. De m aneira nenhum a o que

      eu esperaria de Wesley.

      Silêncio.

      — Então… — disse ele por fim . — Você e Tucker estão j untos agora?

      — Sim — respondi, constrangida. — Estam os.

      — Quando com eçou?

      — Na sem ana passada… Não que sej a da sua conta. — Outro soco. Outra

      tentativa de deixar a conversa norm al.

      Mas ele não m ordeu a isca.

      — Certo. Desculpa. — Ele soava bem estranho.

      Tão diferente do Wesley descolado e confiante a que estava acostum ada...

      Outro silêncio desconfortável.

      — Por que você está aqui, Wesley ?

      — Já disse — falou ele. — Fiquei preocupado. Você m e evitou na últim a

      sem ana na escola e, quando liguei hoj e, você não m e atendeu. Pensei que podia

      ter acontecido algum a coisa com seu pai. Então vim até aqui pra ter certeza de

      que você estava bem .

      Mordi o lábio inferior, um a onda de culpa m e afogando.

      — Isso é m uito gentil — m urm urei. — Mas estou bem . Papai pediu

      desculpas pela outra noite e está frequentando as reuniões do AA agora, então…

      — Então você não ia m e contar?

      — Por que deveria?

      — Porque eu m e im porto! — gritou Wesley. As palavras dele m e atingiram ,

      deixando-m e paralisada por um segundo. — Fiquei preocupado com você desde

      que saiu da m inha casa há um a sem ana! Você nem m esm o disse por que foi

      em bora, Bianca. O que eu deveria fazer? Apenas deduzir que você estava bem ?

      — Deus — sussurrei. — Sinto m uito. Eu não…

      — Eu aqui, preocupado com você, e você transando com aquele m oleque

      pretensioso…!

      — Ei! — gritei. — Não coloque Toby nesta história.

      — Por que você tem m e evitado? — perguntou Wesley.

      — Não tenho evitado você.

      — Não m inta — disse Wesley. — Você tem feito tudo o que pode pra ficar

      longe de m im . Nem m esm o m e olha na sala de aula, e praticam ente corre se m e

      vê chegando. Mesm o quando m e odiava, você não agia assim . Você podia

      am eaçar m e esfaquear, m as nunca…

      — Eu ainda odeio você! — rosnei para ele. — Você é irritante! Age com o

      se eu devesse algo a você. Sinto m uito se o deixei preocupado, Wesley, m as não

      posso m ais ficar perto de você. Você m e aj udou a fugir dos m eus problem as por

      um tem po, e reconheço isso, m as preciso encarar a realidade. Não posso ficar

      fugindo.

      — Mas é exatam ente isso
    que você está fazendo agora — sibilou Wesley. —

      Você está fugindo.

      — Quê?

      — Não finj a, Bianca — disse ele. — Você é m ais esperta do que isso, e eu

      tam bém . Finalm ente entendi o que você quis dizer quando saiu. Você disse que

      era com o Hester. Entendo agora. A prim eira vez que você veio à m inha casa,

      fizem os aquele trabalho e você disse que Hester estava tentando fugir. Mas a

      realidade encontrou Hester no final, não foi? Bem , algum a coisa por fim a

      encontrou, m as você sim plesm ente está fugindo de novo. Só que ele — Wesley

      apontou para a porta do m eu quarto — é a sua fuga dessa vez. — Ele deu um

      passo em m inha direção, m e forçando a inclinar o pescoço ainda m ais para ver

      seu rosto. — Adm ita, Duff.

      — Adm itir o quê?

      — Que você está fugindo de mim! — exclam ou ele. — Você percebeu que

      está apaixonada por m im e fugiu porque isso te assustou até a m orte.

      Eu ri com o se aquilo fosse ridículo — desejando que fosse ridículo — e

      revirei os olhos, dando um passo para trás para m ostrar que ele não podia m e

      intim idar e que ele não estava certo.

      — Ai, m eu Deus. Não sej a tão convencido. Você é tão dram ático, Wesley !

      Não estam os em um a m aldita novela.

      — Você sabe que é verdade.

      — Mesm o que sej a — gritei —, o que im porta? Você pode dorm ir com

      qualquer um a, Wesley. E daí se eu for em bora? E daí se eu tiver algum

      sentim ento por você? Fui só m ais um a pra você! Você nunca se com prom eteria

      com igo. Você nunca poderia se com prom eter com ninguém, especialm ente com

      um a Duff. Você nem m esm o m e acha atraente.

      — Mentira! — rosnou ele, os olhos no m eu rosto enquanto se aproxim ava

      novam ente de m im .

      Ele estava bem perto. Minhas costas estavam pressionadas contra a parede,

      e Wesley estava a centím etros de distância. Só tinha se passado um a sem ana,

      m as parecia que fazia eras que tínham os estado tão próxim os daquele j eito. Um

      arrepio percorreu m inha coluna quando m e lem brei da sensação de suas m ãos

      em m im . Da m aneira com o ele sem pre tinha feito eu m e sentir desej ada,

      m esm o m e cham ando de Duff. Com o ele fazia isso? Será que m e achava

      atraente apesar do apelido? Com o? Por quê?

      — Então por que você m e cham aria assim ? — sussurrei. — Você sabe

      quanto isso m achuca? Todas as vezes que m e cham a de Duff, você sabe com o

      faz eu m e sentir um lixo?

      Wesley pareceu surpreso.

      — O quê?

      — Todas as vezes que você m e cham a assim — falei —, você m e diz com o

      tem pouca consideração por m im . Com o sou feia. Meu Deus, com o você pode

      m e achar atraente quando m e coloca pra baixo o tempo todo? — Sibilei as

      últim as palavras por entre os dentes cerrados.

      — Eu não… — Wesley baixou os olhos por um m om ento. Eu poderia j urar

      que ele se sentia culpado. — Bianca, eu sinto m uito. — Ele olhou nos m eus olhos

      de novo. — Eu não queria… — Ele esticou as m ãos para m e tocar.

      — Não! — explodi, m e encolhendo para longe dele. Deslizei para o lado e

      m e afastei da parede. Não ia ser encurralada. Não ia perm itir que ele tivesse o

      poder agora. — Apenas pare com isso, Wesley.

      Não im portava se algum a parte dele m e achava atraente. Aquilo não

      m udava as coisas. Eu era só outra garota com quem ele dorm ira. Um a entre

      m uitas.

      — Eu não signifiquei nada pra você — falei.

      — Então por que estou aqui? — ele exigiu saber, virando-se para m e

      encarar novam ente. — Por que diabos estou aqui, Bianca?

      Olhei com intensidade para seu rosto sério.

      — Vou te dizer o m otivo. Seus pais te deixaram por sua conta, então você

      sente que precisa preencher sua vida com coisas sem sentido. Com garotas com

      quem você nunca terá algo sério, garotas que praticam ente idolatram você para

      que elas nunca o abandonem . A única razão pela qual você está aqui é porque

      não pode suportar a ideia de que alguém o largou. Seu ego sensível não pode lidar

      com isso, e é m ais fácil sentir m inha falta do que fazer seus pais virem para casa.

      Ele ficou m udo, apenas m e olhando com a m andíbula visivelm ente travada

      por alguns segundos.

      — Acertei na m osca, Wesley ? — perguntei. — Entendo você tão bem

      quanto você pensa que m e entende?

      Ele m e olhou por alguns m inutos — longos m inutos — antes de se afastar.

      — O.k. — m urm urou ele. — Se é assim que você quer, vou em bora.

      — Sim — falei. — Você deve ir.

      Ele se virou e saiu intem pestivam ente da m inha casa. Ouvi a porta da frente

      bater e soube que ele tinha ido em bora. Para sem pre. Inspirei profunda e

      vagarosam ente algum as vezes para desanuviar a m ente e voltei para o quarto,

      onde Toby esperava por m im .

      — Ei. — Eu suspirei, sentando-m e na cam a ao lado dele. — Sinto m uito por

      tudo isso.

      — O que houve? — perguntou ele. — Eu não estava ouvindo, m as escutei

      m uitos gritos. Você está bem ?

      — Estou bem — falei. — É um a história longa e com plicada.

      — Bem , se algum dia você quiser falar sobre ela — Toby aj eitou os óculos e

      m e deu um sorriso nervoso —, tenho tem po para ouvir.

      — Obrigada — respondi. — Mas eu estou bem . Todo m undo tem esqueletos

      no arm ário, certo? — Bem, todo mundo menos você, Toby.

      — Certo — concordou ele. Ele se inclinou e m e beij ou gentilm ente.

      — E eu sinto m uito pela interrupção.

      — Eu tam bém .

      Ele apertou os lábios contra os m eus novam ente, m as não pude aproveitar a

      sensação. Só fiquei pensando em Wesley. Ele parecia bem m agoado. Mas era

      isso que eu queria quando o deixei, só um pouquinho, não era? Que ele sentisse

      m inha falta? Tentei abafar aquele sentim ento, querendo m uito m e perder nos

      braços de Toby. Mas não pude.

      Não da m aneira que eu fora capaz de m e perder com Wesley.

      Eu m e afastei, enoj ada de m im m esm a. Com o pude pensar em Wesley

      enquanto beij ava um cara com o Toby Tucker? Qual era o m eu problem a?

      — Há algo errado? — perguntou Toby.

      — Não é nada — m enti. — Só que… talvez a gente devesse com eçar a

      fazer a pesquisa para nossas redações.

      — Você está certa. — Ele não parecia irritado ou ofendido, nem rej eitado

      de m aneira algum a. Modos perfeitos. Um sorriso perfeito. O garoto perfeito.

      Então por que eu não estava perfeitamente feliz?

      capítulo 24

      Wesley ocupou m eus pensam entos nos dias seguintes, o que m e deixou

      realm ente irritada — m uito m ais irritada do que de costum e para falar a

      verdade.

      Não queria pensar nele. Queria pensar em Toby, que era, claro, m uito m ais

      do que eu m erecia. Ele poderia m e acusar de andar m al-hum orada, m as em vez

      de m e chatear com isso, Toby apenas apertava m inha m ão, beij ava m eu rosto e

      m e dava um doce esperando que isso m e fizesse sorrir de novo. Com o podia

      pensar em outro cara — um galinha, irritante e egoísta —, quando um cara

      m aravil
    hoso estava bem diante de m im ? Talvez alguém precisasse m e dar um

      tapa ou m e subm eter a um tratam ento de choque, com o fazem com as pessoas

      loucas nos film es. Isso talvez colocasse m inha cabeça de volta no lugar.

      Mas Wesley parecia estar em todas as partes. Estava sem pre entrando em

      seu carro quando eu saía para o estacionam ento dos alunos ou parado a alguns

      centím etros de m im na fila do alm oço. Tem ideia do quanto é difícil esquecer

      que alguém existe quando ele fica à vista o tem po inteiro?

      É incrivelm ente difícil. Por um segundo, realm ente pensei que ele fazia isso

      de propósito, tipo m e perseguindo ou algo assim , contudo m udei de ideia quando

      notei que Wesley nem m esm o olhava para m im . Com o se estivesse m uito bravo

      para tom ar conhecim ento da m inha existência.

      Não ter seus olhos estranhos sobre m im devia ser um alívio, m as não era o

      que eu sentia. Aquilo m e m agoava.

      Todas as vezes que via Wesley, era soterrada por um a enxurrada de

      em oções. Raiva, tristeza, dor, irritação, arrependim ento, desej o e, o pior de tudo,

      culpa. Eu sabia que não devia ter dito aquelas coisas sobre seu problem a com

      com prom issos — m esm o sendo totalm ente verdade. E, apesar da m inha vontade

      de lhe pedir desculpas, m antive a boca fechada. Honestam ente, preferiria lidar

      com o fato de eu ser um a pessoa terrível a ter outra conversa desconfortável

      com ele.

      Entretanto, eu não consegui evitar a conversa com a irm ã dele.

      Estava na biblioteca um a m anhã, tentando encontrar um livro que não

      falasse de vam piros rom ânticos ou de crianças voando em dragões, quando Am y

      deu de cara com igo. Juro, ela se aproxim ou de form a tão silenciosa que nem tive

      chance de correr. Em um instante eu estava sozinha, no outro ela estava bem ali,

      do m eu lado. Caí em um a em boscada.

      — Bi… Bianca — gaguej ou. Ela estava torcendo as m ãos e olhando para o

      chão, com o se falar com igo fosse realm ente m atá-la.

      — Ah, hum , ei, Am y. — Enfiei o livro que estava na m inha m ão de volta na

      estante. — Com o vai? — Mantive m eu rosto desviado do dela, fingindo ainda

      estar verificando os títulos dos livros à m inha frente.

      Não queria olhar para ela. Prim eiro, porque Am y se parecia m uito com o

      irm ão e eu estava tentando — e falhando m iseravelm ente — esquecê-lo. Por

     


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