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    Duff

    Page 25
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      cérebro. Virei a página e reli o trecho de novo e de novo. Estava tentando

      entender o m otivo de aquelas palavras m e incom odarem tanto quando fui

      interrom pida pelo som da cam painha.

      — Graças a Deus — m urm urei, aliviada de ter um a razão para fechar o

      livro. Pulei da cam a e corri escada abaixo. — Estou indo! — gritei. — Só um

      segundo!

      Abri a porta da frente esperando encontrar Toby, que avisara que ia passar

      na m inha casa. Mas o hom em na varanda era um ruivo gorducho na casa dos

      cinquenta. Definitivam ente, não era m eu nam orado. Ele usava um uniform e

      verde surrado e um chapéu que não servia direito. O nom e na etiqueta de seu

      casaco dizia JIMMY. Ele segurava um buquê de flores na m ão direita e tinha

      um a prancheta em baixo do braço.

      — Srta. Bianca Piper? — perguntou.

      — Hum … sim .

      Seus olhos estrábicos se ilum inaram em um sorriso.

      — Assine aqui, por favor — disse ele, entregando-m e a prancheta e um a

      caneta. — Parabéns.

      — Ahn… obrigada — falei, devolvendo-lhe a prancheta.

      Ele m e entregou o buquê, e eu vi que era feito de rosas verm elhas de

      verdade, e m e entregou um envelope branco que tirou de seu bolso de trás.

      — Isto é para você tam bém — disse ele. — Você é um a garota de sorte.

      Não é sem pre que faço um a entrega com o esta para alguém da sua idade. — Ele

      sorriu. — Am or de j uventude.

      Am or de j uventude? Meu Deus, precisei lutar contra a vontade de corrigi-lo.

      Queria fazer um longo discurso para explicar que os adolescentes não se

      apaixonam . Mas ele ainda estava falando.

      — Seu nam orado realm ente deve ser um cara e tanto. Poucos garotos são

      tão atenciosos nessa idade.

      Dei um a olhada nas rosas e disse:

      — Você provavelm ente está certo.

      Será que Toby ainda estava tentando m e anim ar? Nossa, ele era tão legal!

      Que horror que eu não m erecesse a delicadeza dele.

      Depois de agradecer ao entregador, fechei a porta. Eu m e sentia culpada

      por achar que m inha situação era um triângulo am oroso. Éram os som ente Toby

      e eu; Wesley deslizava pelos cantos, bem longe de nós… ou era assim que

      deveria ser. Era assim que Toby m erecia que fosse.

      Coloquei o buquê sobre a m esa da cozinha e abri o envelope esperando

      encontrar um a carta idiota, m as com as palavras perfeitas do m eu nam orado

      sem defeitos. Era o tipo de coisa sobre a qual eu norm alm ente faria piada, porém

      dessa vez ia dar um a folga a Toby. Ele realm ente tinha talento com as palavras.

      Um a qualidade que seria útil quando se tornasse um político fam oso.

      Mas a caligrafia na carta era a m esm a do bilhete que estava na m inha

      m ochila. E havia m uito m ais para absorver.

      Bianca,

      Já que você continua fugindo de mim na escola e, se eu me lembro

      bem, o som da minha voz lhe provoca pensamentos suicidas, decidi que

      uma carta pode ser a melhor forma de dizer como me sinto. Apenas me

      escute.

      Não vou negar que você estava certa. Tudo o que você disse na outra

      noite estava correto. Mas meu medo de ficar sozinho não é a razão pela

      qual estou correndo atrás de você. Eu sei como você é cética, e você

      provavelmente vai se sair com uma resposta engraçadinha quando ler

      isto, mas continuo procurando você porque realmente acho que estou

      me apaixonando.

      Você é a primeira garota que me viu como sou. Você é a única garota

      que chamou minha atenção para as coisas que faço de errado. Você me

      pôs no meu lugar, mas, ao mesmo tempo, me entende melhor do que

      qualquer um jamais entendeu. Você é a única pessoa corajosa o

      suficiente para me criticar. Talvez a única pessoa que se aproximou de

      mim o suficiente para encontrar meus defeitos — e, obviamente, achou

      muitos.

      Liguei para os meus pais. Eles vêm para casa neste fim de semana

      para falar com Amy e comigo. Eu estava com medo de fazer isso no

      começo, mas você me inspirou. Sem você, nunca poderia ter feito.

      Penso em você muito mais do que qualquer homem que tem respeito

      próprio gostaria de admitir, e estou com um ciúme insano do Tucker —

      algo que nunca pensei que diria. Seguir em frente depois de você é

      impossível. Nenhuma outra garota pode me manter na linha como você.

      Ninguém mais me faz QUERER me envergonhar escrevendo cartas

      idiotas como esta.

      Só você.

      Mas sei que estou certo também. Sei que você está apaixonada por

      mim, apesar de estar namorando Tucker. Você pode mentir para si

      mesma se quiser, mas a realidade vai alcançá-la. Vou esperar por você

      até que isso aconteça… você goste disso ou não.

      Com amor,

      Wesley

      P.S.: Eu sei que você deve estar revirando os olhos agora, mas não ligo.

      Honestamente, sempre achei isso meio excitante.

      Fiquei olhando para a carta por um longo tem po, entendendo, enfim , por que

      Am y tinha m e agradecido. Wesley estava tentando aj eitar as coisas… por m inha

      causa. Por causa do que eu dissera. Eu tinha, na verdade, conseguido penetrar

      naquela cabeça m aluca dele. Isso foi absolutam ente chocante para m im .

      Levou um segundo para as outras surpresas m e pegarem . Palavras com o

      amor e única pularam da página na m inha direção. Era a m inha prim eira carta

      de am or — não que algum a vez eu tivesse desej ado receber algum a, m as ainda

      assim … — e nem m esm o era do m eu nam orado. O cara errado a havia enviado

      para m im . O cara errado m e queria. Wesley era o cara errado.

      Ou será que ele era exatam ente o cara certo?

      Eu estava tão consum ida por m eus pensam entos que dei um pulo quando o

      telefone tocou e deslizei pelo chão da cozinha na tentativa de atendê-lo.

      — Alô?

      — Oi, Bianca — disse Toby.

      Meu coração se acelerou, e a vergonha correu por m inhas veias. A carta de

      Wesley queim ava os dedos da m inha m ão, m as consegui parecer calm a quando

      disse:

      — Ei, Toby. Você j á está vindo?

      — Não — suspirou ele. — Papai tem algum as tarefas para m im , então não

      posso ir agora à tarde. Sinto m uito, de verdade.

      — Tudo bem . — Eu não devia ter sentido alívio, m as senti. Se Toby viesse,

      eu precisaria esconder as flores, acabaria m e enredando em um a rede de

      m entiras, e todos sabem os que droga de m entirosa eu sou. — Não se preocupe.

      — Obrigado por ser tão com preensiva. Mas queria passar um tem pinho com

      você. Nós não conseguim os passar m uito tem po j untos na escola. — Ele fez um a

      pausa. — Você tem planos para am anhã à noite?

      — Não.

      — Então quer sair com igo? Um a banda vai tocar no Nest, e eu pensei que

      poderíam os ir. É claro que suas am igas podem vir tam bém . O que você acha?

      — Parece ótim o. — Olha só, eu conseguia lidar com pequenas m entiras

      com o aquela. Odiava m úsica ao vivo e desprezava o Nest, m as fingir que estava

      adorando tudo faria Toby feliz, e Casey ficaria anim ada por tam bém ser

      convidada. Então, por que não? Mentiras leves eram fáceis, m as qualquer coisa


      m aior e eu estaria ferrada.

      — Legal — disse Toby. — Então eu busco você às oito.

      — Certo. Tchau, Toby.

      — Até am anhã, Bianca.

      Desliguei o telefone, m as m eus pés se recusaram a se m over. A carta ainda

      queim ava m inha pele, e eu m e peguei olhando para as palavras tentadoras. Por

      que essa coisa toda não podia ser m ais fácil? Por que Wesley tinha de aparecer e

      m e fazer questionar tudo? Senti com o se estivesse traindo Toby a cada frase que

      lia. Com o se o estivesse enganando.

      Mas agora sabia que, cada vez que beij asse Toby, estaria m agoando Wesley.

      — AHHHHH! — Com um grito que explodiu no m eu peito e, no cam inho,

      enfiou as garras em m eus pulm ões, transform ei a carta em um a bolinha e a

      atirei no outro lado da sala com a m aior força que consegui j untar. Ela se m oveu

      devagar pelo ar antes de bater delicadam ente no papel de parede floral e pousar

      no chão.

      Finalm ente, com a garganta doendo, afundei no chão, enfiei o rosto nas

      m ãos e — adm ito — chorei. Chorei de frustração e confusão, m as em grande

      parte por m im m esm a, por estar nessa situação, com o a garotinha egoísta que eu

      era.

      Pensei em Cathy Earnshaw, a heroína m im ada e egoísta de O morro dos

      ventos uivantes, e m e lem brei da passagem que estava lendo antes que a

      cam painha tocasse. Mas as palavras vieram a m im um pouquinho diferentes do

      que estavam no livro.

      Meu amor por Toby é como a folhagem dos bosques. O tempo vai mudá-

      lo, tenho plena certeza, como o inverno muda as árvores; meu amor por

      Wesley se assemelha às rochas eternas do solo — uma fonte de pouco

      deleite, visível mas necessária.

      Balancei a cabeça para a frente e para trás febrilm ente. Gostar, eu m e

      corrigi. Meu gostar de Wesley é blá-blá-blá. Enxuguei m eus olhos e fiquei de pé,

      tentando acalm ar m inha respiração entrecortada. Então m e virei e voltei lá para

      cim a.

      De repente, eu queria saber com o o livro term inava.

      capítulo 26

      Depois de passar a noite inteira acordada lendo — e tam bém dobrando as m inhas

      roupas pelo m enos dez vezes —, descobri que O m orro dos ventos uivantes não

      tem um final feliz. Por causa de Cathy, estúpida, m im ada e egoísta (sei que não

      tenho m uito m érito para j ulgar, m as ainda assim ), tudo acaba de form a triste. As

      escolhas de Cathy arruínam a vida das pessoas com as quais ela m ais se im porta.

      Tudo porque ela escolhe propriedade em vez de paixão. Cabeça em vez de

      coração. Linton em vez de Heathcliff.

      Toby em vez de Wesley.

      Isso, decidi enquanto arrastava m eu corpo exausto para a escola na m anhã

      seguinte, não era um bom presságio. Norm alm ente eu não dava a m ínim a para

      esse tipo de superstição ou bobagens com o sinais do destino, m as as sim ilaridades

      entre as situações que eu e a personagem Cathy Earnshaw estávam os

      enfrentando eram im possíveis de ignorar. Não conseguia parar de m e perguntar

      se o livro não estava tentando m e m andar um recadinho.

      Sabia que estava interpretando as entrelinhas m uito m ais do que seria

      recom endável, porém a falta de sono som ada ao estresse de tudo o que eu vinha

      encarando fez m inha m ente viaj ar para alguns lugares interessantes.

      Interessantes, m as não produtivos.

      Passei o dia todo com o um zum bi, no entanto durante a aula de cálculo algo

      m e fez despertar de repente.

      — Você j á soube sobre Vikki McPhee?

      — Que ela engravidou? Sim , m e contaram hoj e de m anhã.

      Minha cabeça se afastou de todos os problem as que eu tentava resolver de

      m aneira não m uito inspirada. Havia duas garotas sentadas lado a lado, um a

      fileira à m inha frente. Reconheci um a delas, que fazia parte da equipe de líderes

      de torcida.

      — Meu Deus, que vagabunda! — com entou a líder de torcida. — Não tem

      nem com o saber quem é o pai. Ela dorm e com todo m undo.

      Detesto adm itir, m as m inha prim eira reação ao ouvir aqueles com entários

      foi um m edo extrem am ente egoísta. Pensei em Wesley. Tudo bem que ele

      tivesse rej eitado Vikki no corredor alguns dias antes, m as e se algum a coisa

      tivesse m udado? E se aquela carta tivesse sido um a brincadeira? Um a espécie de

      truque para m exer com a m inha cabeça? E se ele e Vikki realm ente tivessem …

      Eu m e obriguei a não pensar nisso. Wesley era m uito cuidadoso. Ele sem pre

      usava cam isinha. Além do m ais, era com o a garota tinha dito — Vikki dorm ia

      com todo m undo. As chances de Wesley ser o verdadeiro pai eram

      pouquíssim as. E eu não tinha sequer o direito de m e im portar com isso. Wesley

      não era m eu nam orado. Mesm o que tivesse declarado seu am or por m im em

      um a carta. Eu ainda esta-va com Toby, e o que Wesley decidisse fazer não era

      problem a m eu.

      Meu segundo pensam ento foi sobre Vikki. Dezessete anos, quase form ada no

      ensino m édio e, se os rum ores fossem verdadeiros, grávida. Que pesadelo. O pior

      era que todo m undo sabia. Ouvi os m urm úrios sobre o assunto no corredor

      quando finalm ente saí da aula de cálculo. Em um a escola do tam anho da

      Ham ilton, não dem orava m uito para qualquer fofoca se espalhar. A suposta

      situação de Vikki McPhee estava na cabeça de todo m undo.

      Até m esm o na m inha.

      Então, quando saí da cabine do banheiro alguns m inutos antes da aula de

      inglês e encontrei Vikki apoiada na pia passando seu batom cor-de-rosa escuro,

      precisei fazer certo esforço para desviar os olhos.

      Precisava dizer alguma coisa. Tudo bem , não éram os próxim as nem nada

      assim , porém alm oçávam os j untas todos os dias.

      — Olá — m urm urei.

      — Oi! — respondeu ela, ainda passando batom .

      Abri a torneira e encarei m eu próprio reflexo no espelho, tentando ao

      m áxim o não dar um a espiada na barriga dela. De quantos m eses Vikki estaria?

      Seus pais j á haviam percebido?

      — Não é verdade. Você sabe, não sabe?

      — O quê?

      Vikki fechou o batom e o j ogou dentro da bolsa. Ela estava m e encarando

      através do espelho, e agora eu percebia que seus olhos estavam averm elhados.

      — Eu não estou grávida — disse ela. — Quer dizer, pensei que estivesse,

      m as o teste que fiz há dois dias deu negativo. Alguém deve ter m e ouvido contar

      a história toda para Jeanine e Angela e… enfim , esqueça. Não estou grávida.

      — Ah… Nossa. Ei, isso é bom . — Eu sei, essa não era a coisa certa a dizer,

      m as fui pega totalm ente de surpresa.

      Vikki assentiu e deu um a aj eitada em seus cachos loiro-averm elhados.

      — Confesso que fiquei aliviada. Não saberia com o contar para m eus pais. E

      o cara j am ais teria dado um bom pai tam bém .

      — Quem é?

      Foi um a pergunta totalm ente egoísta.

      — Ah, um cara… Eric.

      Obrigada, meu Deus, pensei. Um segundo depois, m e senti totalm ente

      culpada. Não era hora para estar pensando em m im .

      — Ele é só um otário que faz parte de um a fraternidade, e adora transar

      com garotas que ainda estão no ensino m édio. — Vikki baixou os olhos, e não

    &n
    bsp; pude m ais encará-la através do espelho. — E eu nem m e im portei com isso na

      hora. Apenas deixei que ele m e usasse, nunca pensei… m esm o quando a

      cam isinha estourou… — ela se interrom peu, balançando a cabeça. — De

      qualquer form a, fico feliz que tenha dado negativo.

      — Claro.

      — É assustador, sabe? — disse Vikki. — Eu quase enlouqueci esperando o

      resultado. Sim plesm ente não conseguia acreditar que estava naquela situação,

      entende?

      — Entendo, sim — respondi, sem achar tão surpreendente. Era Vikki, afinal

      de contas. Ela j á não vinha m eio que se arriscando há anos a acabar com um

      problem a desse tipo? Dorm indo com pessoas de quem ela nem sequer gostava

      sem pensar nas consequências?

      Exatamente como eu fiz…

      Tudo bem , não foram pessoas. Wesley foi o único. E, de certa form a, eu

      gostava dele… agora que não dorm íam os m ais j untos. Isso era… bem , não sei do

      que cham ar essa situação. Não é sorte. Talvez coincidência? De qualquer form a,

      eu era esperta o bastante para saber que essas coisas não aconteciam com tanta

      frequência.

      Mas eu tinha ignorado as consequências. E, de repente, percebi que Vikki e

      eu poderíam os facilm ente trocar de papel. Eu poderia ter sido a garota sobre a

      qual todos falavam . Poderia estar apavorada por achar que estava grávida. Ou

      pior. Estava tom ando pílula, e Wesley e eu sem pre usam os cam isinha, m as às

      vezes essas coisas sim plesm ente falham . Poderiam facilm ente ter falhado

      conosco. E eu aqui, j ulgando Vikki por um a situação que poderia acontecer com

      qualquer pessoa, até com igo. Sou m esm o um a hipócrita.

      Você não é uma vadia. A im agem veio de relance, Wesley naquela noite em

      seu quarto, dizendo para m im exatam ente quem eu era. Me m ostrando que o

      resto do m undo estava tão confuso quanto eu. Que eu não era um a vadia e que

      não estava sozinha.

      Eu não conhecia Vikki tão bem . Não sabia com o era sua vida em casa e

      nada sobre sua vida particular, exceto seu conhecido envolvim ento com diversos

      garotos. E ali, naquele banheiro, ouvindo-a m e contar sua história, não conseguia

      parar de m e perguntar se ela tam bém não estava tentando fugir de algum a coisa.

      Eu a tinha j ulgado, achando que ela era um a vadia por todo esse tem po, quando,

     


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