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    Duff

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      em casa. Quem é esse? — Os olhos dele estreitaram -se na direção de Wesley. —

      Um garoto?

      — Hum , pai, esse é Wesley Rush — falei, tentando m anter a calm a. — É

      um am igo m eu.

      — Um “am igo”… aposto que é. — Ele agarrou a garrafa de uísque antes de

      dar alguns passos cam baleantes na nossa direção, com os olhos vesgos em

      Wesley. — Você se divertiu no quarto da m inha m enininha, garoto?

      — Muito — disse Wesley, claram ente tentando falar com o um daqueles

      garotos inocentes “oh, céus, m eu Deus!” dos program as de TV dos anos 1950. —

      Jogam os três partidas de palavras cruzadas. Sua filha é realm ente m uito boa com

      palavras.

      — Palavras cruzadas? Não sou um idiota. Isso deve ser um código novo

      para… para sexo oral! — rosnou m eu pai.

      Devo ter ficado verm elha com o um pim então. Com o é que ele sabia? Será

      que conseguia ver dentro da m inha m ente? Não, claro que não. Ele só estava

      bêbado e fazendo acusações, e ficar com cara de culpada só pioraria as coisas.

      Então ri, com o se aquilo tudo fosse ridículo. Com o se fosse um a piada. Wesley,

      m e acom panhando, fez o m esm o.

      — Claro, pai — falei. — E Batalha Naval significa transar, certo?

      — Não estou fazendo graça! — retrucou m eu pai, sacudindo a garrafa e

      derram ando uísque no carpete. Ótim o. Eu é que iria lim par depois. — Sei o que

      está acontecendo. Já vi o j eito com o aquelas suas am igas oferecidas se vestem ,

      Bianca. Elas estão influenciando você, né?

      Não consegui m ais forçar o riso.

      — Minhas am igas não são oferecidas — sussurrei. — Você está caindo de

      bêbado e não sabe o que está dizendo. — Com um im pulso de ousadia, avancei e

      arranquei a garrafa da m ão dele. — Você não devia beber m ais, pai.

      Por um instante, foi bom . Foi o que eu devia ter feito desde o com eço.

      Apenas tom ar a situação nas m ãos e tirar a garrafa. Senti-m e poderosa. Com o se

      pudesse resolver as coisas.

      — É m elhor eu ir — disse Wesley atrás de m im .

      Com ecei a virar para m e despedir, m as as palavras nunca saíram da m inha

      boca. Senti a garrafa escorregar da m inha m ão e a ouvi se espatifar no chão ao

      m eu lado. Fui derrubada, m as por um segundo não entendi o que tinha

      acontecido. De repente, a dor na m inha têm pora m e deixou tonta. Foi com o se eu

      tivesse levado um a pancada de algo. Algo duro. Algo m aciço. Algo com o a

      palm a da m ão do m eu pai. Ergui a m ão e esfreguei a cabeça, chocada, quase

      sem sentir a dor real.

      — Viu? — berrou m eu pai. — Garotos não ficam com vadias, Bianca. Eles

      as abandonam . E não vou deixar você virar um a vadia. Não a m inha filha. Isso é

      para o seu próprio bem .

      Ergui os olhos, e ele avançou para agarrar m eu braço. Fechei os olhos com

      força, esperando sentir os dedos dele curvando-se em torno do m eu antebraço.

      Mas não chegaram lá.

      Ouvi um baque surdo, e m eu pai gem endo de dor. Meus olhos se abriram

      sem dem ora. Wesley afastou-se do m eu pai, que estava m assageando o m axilar

      com um ar estupefato no rosto.

      — O quê, seu desgraçado!

      — Você está bem ? — perguntou Wesley, aj oelhando-se na m inha frente.

      — Você acabou m esm o de dar um soco no m eu pai? — Eu não conseguia

      deixar de pensar que devia estar delirando. Será que aquilo tudo acontecera

      m esm o? Totalm ente bizarro.

      — Sim — adm itiu Wesley.

      — Com o você ousa levantar a m ão para m im ? — gritou m eu pai, m as ele

      estava tendo dificuldade de se equilibrar o suficiente para chegar perto de nós de

      novo. — Com o ousa transar com a m inha filha e depois m e bater, seu filho da

      m ãe?

      Nunca tinha ouvido m eu pai falar assim .

      — Venha — disse Wesley, m e aj udando a ficar de pé. — Vam os em bora

      daqui. Você vem com igo. — Passou um braço em torno de m im , puxando-m e

      para perto do seu corpo quente, e m e conduziu pela porta aberta.

      — Bianca! — berrou m eu pai atrás de nós. — É m elhor que você não entre

      nessa droga de carro! É m elhor que você não saia desta casa! Está m e ouvindo,

      sua vadiazinha?

      O traj eto até a casa de Wesley transcorreu em silêncio. Por diversas vezes eu o

      vi abrir a boca com o se quisesse falar, m as acabava fechando-a de novo. Eu

      estava chocada dem ais para dizer qualquer coisa. Minha cabeça não estava

      doendo tanto. Apenas não conseguia absorver o que m eu pai tinha feito. Mas o

      pior era a vergonha. Por quê? Por que Wesley precisou ver aquilo? O que ele

      pensaria de m im agora? O que pensaria do m eu pai?

      — Isso nunca aconteceu antes — falei, quebrando o silêncio quando ele

      parou na entrada da quase-m ansão. Wesley desligou o m otor e olhou para m im .

      — Meu pai nunca m e bateu… nem gritou com igo desse j eito.

      — Não esquenta.

      — Só quero que você saiba que aquilo não foi norm al pra nós — expliquei.

      — Não vivo em um a casa abusiva nem nada disso. Não quero que pense que

      m eu pai é algum tipo de psicopata.

      — Tinha a im pressão que você não se im portava com o que as pessoas

      pensavam — disse ele.

      — Sobre m im . Não m e im porto com o que pensam sobre mim. — Eu não

      sabia que era m entira até que as palavras saíssem da m inha boca. — Mas com

      m inha fam ília e m eus am igos é diferente… m eu pai não é um psicopata. Ele

      apenas está passando por um a fase difícil agora. — Consegui sentir o nó se

      form ando na m inha garganta e tentei engolir. Precisava explicar. Ele precisava

      saber. — Minha m ãe acabou de entrar com o processo de divórcio e… ele

      apenas não está conseguindo lidar com isso.

      O nó na garganta não ia em bora, só crescia. Todas as m inhas preocupações

      e m edos haviam levado àquele m om ento, e eu não conseguia m ais lutar contra

      isso. Não conseguia m anter isso escondido. As lágrim as com eçaram a descer

      pelo m eu rosto, e antes que m e desse conta estava soluçando.

      Com o é que aquilo tinha acontecido? Parecia um pesadelo. Meu pai era a

      pessoa m ais doce, o m elhor hom em que eu conhecia. Ele era ingênuo e frágil.

      Aquele não era m eu pai. Mesm o tendo escutado os m otivos dele para ficar sóbrio

      — m esm o sabendo, no fundo da m inha m ente, que beber era perigoso para ele

      —, aquilo ainda não parecia real. Não parecia possível.

      Senti com o se m eu m undo estivesse finalm ente girando fora de controle. E

      dessa vez eu não podia negar. Não podia ignorar. E, definitivam ente, não podia

      escapar.

      Wesley não disse nada. Apenas ficou ali, sentado com igo, em silêncio. Eu

      nem notei que ele estava segurando a m inha m ão até as lágrim as pararem .

      Quando recuperei o fôlego e enxuguei as lágrim as salgadas dos olhos, ele abriu a

      porta dele e deu a volta para abrir a m inha. Aj udou-m e a sair do carro — não

      que eu precisasse, m as foi gentil da parte dele — e m e conduziu até a entrada

      com o braço apertado em volta de m im , do j eito com o tinha m e conduzido para

      fora da m inha casa, m antendo-m e j unto dele. Com o se estivesse c
    om m edo que

      eu fugisse na escuridão entre o carro dele e a porta da frente.

      Um a vez dentro da casa, Wesley m e ofereceu um a bebida. Fiz que não com

      a cabeça e fom os lá para cim a, com o sem pre fazíam os. Sentei na cam a, e ele

      sentou ao m eu lado. Não estava olhando para m im e parecia estar im erso em

      pensam entos. Eu não podia evitar im aginar que coisas horríveis passavam por

      sua cabeça. Não perguntei. Não queria saber.

      — Você está bem ? — perguntou ele, voltando-se para m e encarar,

      finalm ente. — Precisa de um a bolsa de gelo ou algo assim ?

      — Não — respondi. Minha garganta estava doendo de chorar, e as palavras

      saíram m eio arranhadas. — Não está m ais doendo.

      Ele estendeu a m ão e afastou o cabelo do m eu rosto, os dedos tocando de

      leve m inha têm pora.

      — Bem … — disse ele devagar. — Pelo m enos agora eu sei.

      — Sabe o quê?

      — Do que você estava fugindo.

      Não reagi.

      — Por que você não m e disse que seu pai tem um problem a com bebida? —

      perguntou ele.

      — Porque não sou eu que devo dizer — respondi. — E vai passar. Ele está

      apenas vivendo um m om ento difícil agora. Não bebia há dezoito anos. Só depois

      que os papéis do divórcio chegaram … Ele vai m elhorar.

      — Você devia falar com ele. Quando estiver sóbrio, devia lhe dizer que isso

      está ficando fora de controle.

      — É — zom bei. — E fazer com que pense que estou contra ele tam bém ?

      Quando m inha m ãe acabou de entregar os papéis do divórcio a ele?

      — Você não está contra ele, Bianca.

      — Me diz, Wesley, por que você não fala com os seus pais? — perguntei. Ele

      estava sendo hipócrita, não estava? — Por que não conta a eles que está se

      sentindo sozinho? Que desej a que eles voltem pra casa? É porque você não quer

      aborrecê-los, né? Você não quer que eles botem a culpa dos problem as deles em

      você. Se eu disser ao m eu pai que ele está com um problem a, ele vai achar que o

      odeio. Com o é que posso m agoá-lo m ais ainda? Ele acabou de perder tudo.

      Wesley balançou a cabeça.

      — Não tudo. Ele não perdeu você — disse ele. — Pelo m enos, não ainda. Se

      não conversar com seu pai, ele vai sim plesm ente acabar afastando você e depois

      vai sofrer m uito m ais.

      — Talvez.

      Os dedos de Wesley continuaram a acariciar suavem ente m inha têm pora.

      — Está doendo?

      — Não m esm o. — Na verdade, a form a com o ele estava m assageando

      m inha cabeça era m uito agradável. Suspirei e encostei na m ão dele. — As coisas

      que ele disse doeram m ais — m urm urei e m ordi o lábio inferior. — Sabe — eu

      disse a Wesley —, nunca fui cham ada de vadia na vida, e hoj e duas pessoas

      diferentes insinuaram que eu era um a. O engraçado é que tenho quase certeza de

      que eles estão certos.

      — Não é engraçado — resm ungou Wesley. — Você não é um a vadia,

      Bianca.

      — Então sou o quê? — perguntei, ficando irritada de repente. Afastei a m ão

      dele e levantei. — Eu sou o quê? Estou indo pra cam a com um cara que não é

      m eu nam orado e m entindo sobre isso pras m inhas am igas… se é que ainda são

      m inhas am igas. Nem penso nisso agora, se é certo ou errado! Sou um a vadia.

      Sua avó e m eu pai acham isso e estão certos.

      Wesley levantou, com o rosto sério e severo. Me agarrou pelos om bros e

      segurou com firm eza, m e obrigando a olhar para ele.

      — Ouça — disse ele —, você não é um a vadia. Está ouvindo, Bianca? Você

      é um a garota inteligente, petulante, sarcástica, cínica, neurótica, leal e generosa.

      É isso que você é, certo? Você não é oferecida, nem vadia, nem nada

      rem otam ente parecido. Só porque tem alguns segredos e algum as m aluquices…

      Você está apenas confusa… com o todos nós.

      Olhei para ele, atônita. Será que estava certo? Será que o resto do m undo

      estava tão perdido quanto eu? Será que todo m undo tinha segredos e m aluquices?

      Devia ter. Eu sabia que Wesley era tão desaj ustado quanto eu, então certam ente

      o resto do m undo devia ter suas im perfeições tam bém .

      — Bianca, vadia é só um a palavra sem sentido que as pessoas usam para

      m agoar as outras — disse ele com a voz m ais suave. — Faz elas se sentirem

      m elhor em relação a seus próprios erros. Usar palavras com o essa é m ais fácil

      do que tentar entender de verdade a situação. Garanto que você não é um a vadia.

      Você não está sozinha.

      Ele entendia. Entendia a sensação de ser abandonado. Entendia as ofensas.

      Ele me entendia.

      Fiquei na ponta dos pés e o beij ei — um beij o de verdade. Era m ais do que

      um a prelim inar para o sexo. Não havia duelo entre nossas bocas. Meu quadril

      estava levem ente encostado no dele e não o pressionava com força. Nossos

      lábios m oviam -se em um a harm onia m acia e perfeita. Dessa vez significava

      algo. O que esse algo era, eu não sabia na hora, m as sabia que havia um a

      conexão verdadeira entre nós. As m ãos dele passaram suavem ente pelo m eu

      cabelo, e seu polegar roçou m eu rosto, ainda úm ido do choro de m inutos antes. E

      não pareceu errado, pervertido ou pouco natural. Na verdade, pareceu a coisa

      m ais natural do m undo.

      Tirei a cam isa dele, e ele puxou a m inha por cim a da cabeça. Depois,

      Wesley m e deitou na cam a. Sem pressa. Dessa vez as coisas foram lentas e

      sinceras. Dessa vez eu não estava tentando fugir. Dessa vez o foco era ele. Era

      eu. Era sobre honestidade e em patia e tudo o que eu nunca tinha esperado

      encontrar em Wesley Rush.

      Dessa vez, quando nossos corpos se encontraram , não pareceu errado nem

      feio.

      Pareceu assustadoram ente certo.

      capítulo 18

      Soube que havia algo errado no instante em que abri os olhos na m anhã seguinte.

      O céu estava cinzento e frio do lado de fora da j anela de Wesley, m as eu

      estava quentinha. Bem quentinha. O braço de Wesley m e envolvia, aninhando-

      m e contra seu peito, e sua respiração leve e ritm ada aquecia a m inha nuca. Era

      tão tranquilo. Tão perfeito... Me sentia protegida e satisfeita.

      E esse era o problem a.

      Avistei um suéter rosa esquecido em um canto do quarto. Estava ali havia

      sem anas. Pertencia a algum a garota anônim a. Um a das tantas que Wesley

      levava para o seu quarto. Vendo-o, lem brei subitam ente de quem era o dono da

      cam a em que eu estava. Quem estava m e abraçando.

      Não deveria m e sentir protegida nem satisfeita. Não ali. Não com Wesley.

      Era errado. Eu deveria estar incom odada. Deveria estar sentindo aversão.

      Não deveria querer nada além de em purrá-lo para longe de m im . O que diabos

      estava acontecendo? O que havia de errado com igo?

      E, na m esm a hora em que fazia essas perguntas a m im m esm a, as respostas

      m e atingiram com o um tsunâm i. Um tsunâm i gelado que m e deixou de olhos

      arregalados e em choque.

      Estava com ciúm e das garotas com quem ele falava.

      Faria qualquer coisa para fazê-lo sorrir.

      Eu m e sentia protegida e satisfeita em seus braços.

      Ai, meu Deu
    s, pensei, m eio em pânico. Estou apaixonada por ele.

      Precisava pôr os pés no chão. Não, não, não. Não, am or, não. Amor era um a

      palavra m uito grande. Grande dem ais. Am or dem orava anos e anos para

      brotar… certo? Não estava apaixonada por Wesley Rush.

      Mas eu sentia algo por ele. Algo que não era raiva nem asco. Era m ais do

      que um a paixonite. Mais do que qualquer coisa que eu senti por Toby Tucker

      durante os últim os três anos. Talvez m ais até do que sentira por Jake Gaither havia

      tantos anos. Era real. Era intenso.

      E era apavorante.

      Eu precisava fugir dali. Não podia ficar. Não podia cair nessa arm adilha.

      Não im portava o que eu sentisse por Wesley, ele nunca sentiria o m esm o por

      m im .

      Porque ele era Wesley Rush.

      E eu era um a Duff.

      Não havia chance de eu ficar m e torturando desse j eito. Eu tinha aprendido

      m inha lição com Jake. Chegar perto dem ais só m e deixaria ferida, e Wesley

      tinha m uito com que m e ferir. Na noite passada, ele tinha m e visto no m eu

      m om ento m ais frágil. Eu perm iti. Me abri. E, se não fosse em bora agora, pagaria

      o preço.

      “Não im porta aonde você vá ou o que você faz para se distrair, a realidade

      alcança você.” Minha m ãe tinha dito isso sobre ela e m eu pai.

      Um sorriso am argo brotou em m eu rosto enquanto m e esgueirava, relutante,

      para fora dos braços de Wesley. Minha m ãe estava certa. Wesley era m inha

      distração. Ele devia ser m inha fuga das em oções. De todo o dram a. E ali estava

      eu… sentindo esse turbilhão de em oções.

      Tentei m e m over silenciosam ente pelo quarto e m e vestir sem fazer barulho.

      Depois de enfiar o suéter e o j eans, agarrei m eu celular e escapei para a sacada.

      Antes de m udar de opinião ou de m e convencer de que ela não ia atender,

      digitei o núm ero de Casey. Sabia que ela ainda estava aborrecida com igo, m as

      não conseguia pensar em nenhum a outra opção. Não im portava quanto estivesse

      irritada, Casey m e aj udaria. Ela aj udaria qualquer um . Sim plesm ente fazia parte

      da natureza dela.

      — Al…ô? — resm ungou ela com voz de sono, depois de dois toques.

      Droga, m urm urou um a vozinha no fundo da m inha m ente. Depois de todo

      esse tem po, não dava para acreditar que era assim que Casey ia descobrir m eu

     


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